domingo, 29 de julho de 2018

Ato Cacto



Trabalhando Há seis horas ininterruptas sob o sol opaco de Caruaru, encontro-me na encruzilhada entre a claridade distante e as sombras que me guardam. . .
Fujo de um e ascendo ao outro. No meio, germino, resiliente, tal o cacto: Áspero e perigoso ao toque, mas, cuja entranhas saciam a sede.
O preço?
Corte-me. Corte-me. Corte-me. 

Caruaru, Alto do Moura, 29 de julho de 2016, às 13h20.
#pesquisa_de_campo #auto_retrato

sábado, 28 de julho de 2018

Sintam as Quintas, sem tintas!



Toda quinta-feira pela manhã tenho reunião de trabalho. 
É árduo. . .
Toda quinta-feira pela manhã degusto a vista da Praça. 
Que graça. . .
Toda quinta-feira pela manhã os passarinhos , de fundo, cantam!
Me encantam. . .
Toda quinta-feira pela manhã participo do planejamento da vida de varias pessoas.
Isso destoa. . .
Toda quinta-feira pela manhã eu me divirto com a ironia.
vida sem serventia. . .
Toda quinta-feira pela manhã repito se haverá outra quinta-feira pela manhã, para praça, para os passarinhos e para mim.
Imaginando o fim. . .

Recife, Casa Forte, 28 de julho de 2016, às 8h35

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Eu, pão!



Bem iluminada era a manhã. O clarão matinal preenchia aquela área. Foi para lá que ele se instalou. Sentou-se de costas, como quem ignora o objeto desejado... Era uma área de alimentação em um hotel de passagem. A calmaria reinava. Até as imagens da TV se alternavam em discreto silêncio, apesar do número grande de visitantes que perambulavam entre os pratos de comida... mesmo assim, todos ignoravam aquela sessão do restaurante. Pelo calor que o astro luminoso provocava, certamente. Mas isso o agradava. “Nunca siga a maré! ”, vivia se dizendo.  Além disso, apreciava aquele calor. Ajudava-o a sentir-se vivo. Havia se sentado com uma xícara de café e um breve pedaço de pão... Mas não sabia o que aquele pão fazia ali... Daquele ponto do salão, conseguia observar cada hóspede, que pulverizados, se assentavam nas sombras, escapando da luz causticante. Todos compartilhavam o ambiente ao mesmo tempo que se isolavam. Comiam em pausas. Olhavam para o vazio. Mastigavam. Engoliam. Suas lentes escuras lhe permitiam mirar e tecer narrativas sobre cada um deles... Brincava, como se fossem seus personagens de um jogo de RPG. Imaginava suas histórias de vida sempre com um “se”... “se eu tivesse feito isso, seria como aquele?”; “se eu não tivesse feito aquilo, seria como ele?”. Seguia cada possibilidade, intercalada com goles do café, amargo e sedoso, quente e desejado, tal qual a vida. Vidas espelhadas naquelas pessoas. Naquele momento, eram todas suas. Tais pensamentos se apresentavam um atrás do outro. Rápidos. Pensava-os para tentar escapar de ponderar sobre si mesmo. Tentava se decidir como avaliar a sua própria existência. Compartilhava da ideia de que havia uma supervalorização da vida. Muito desejada e pouco sentida ou significada pela maré.   Se viu encarando o pedaço de pão no prato e entortando, brevemente, os lábios ao questionar sua presença. A vida era como aquele pedaço de pão no prato, concluiu. Fitava-o como quem recrimina o indesejado. O invasor. Aquilo foi vivo. E, morreu. Quando trigo, foi triturado, afogado, queimado. Ganhou vida, novamente. Se tornou pão para ter um fim trágico. Foi enganado... sob outra forma, alcançou outra chance de sentir o fulgor da vida.  Para quê? Para ser retirado de seu descanso. Ser cortado e espetado. E, uma vez partido, esperar a indecisão do algoz em arruiná-lo com céleres mordidas que o levarão ao mundo escuro e destrutivo do sistema digestivo. Aquilo era a essência da vida em forma de morte ou a morte que se passava por vida. A morte é o estado vindouro do que está vivo, que nasce, apenas, para morrer. O próprio pão seria a morte de quem o consome. A morte rasteira, que se espreita no sal, no glúten e nos açúcares que o sangue há de espalhar... em cada pedaço como aquele, se encontra perto do último. Ali, no estante kafkiano, se viu no pão. Ele era o pão. E o pão era ele. E naquele eterno momento de incerteza schrödingeriano, ambos estavam vivos. Mortos. Vivos-mortos. Mortos-vivos. O pão não sabia se seria destruído entre os dentes desgastados de seu observador ou seria ignorado, relegado ao desprezo da lixeira, do mofo e da podridão. E, do novo ciclo de morte-vida, que o levaria, indiscutivelmente, a um novo momento como aquele, na angustia aflitiva do animal que o devorará em nome da vida e do viver. Que saída tinha o trigo? Senão, deixar-se dobrar sobre o vento e a foice e virar pão. Que saída tinha o pão? Senão, deixar-se queimar e cortar para satisfazer a fome dos outros? Que saída tinha ele? Senão, deixar-se viver a morte lenta... Seu único pesar, era a maldição de saber reconhecer a ironia onde o que atrapalha a vida é viver.

João Pessoa, Praia de Cabo Branco, 26 de julho de 2018, às 7h13.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Chamada: GT Literatura & Histórias em Quadrinhos


O I Congresso Nacional do Núcleo de Estudos de Literatura e Intersemiose – NELI é promovido pelo grupo homônimo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com o apoio do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL – UFPE) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), por meio de projeto do Programa PIBEX, da PROEXT. O evento será realizado nos dias 08, 09 e 10 de agosto de 2018, nos auditórios do Centro de Artes e Comunicação, da UFPE.
Com o tema “Relações Intersemióticas nas textualidades contemporâneas”, em sua primeira edição, o evento tem como objetivo apresentar e problematizar os estudos que exploram as fronteiras das linguagens artísticas. A pretensão consiste ainda em contribuir para a ampliação da formação do profissional de Letras, uma vez que o evento irá proporcionar a tessitura de debates que vão centralizar temas sociais, culturais, políticos relacionados à área e ao campo conceitual da Intersemiose. Além de reunir professores e estudantes pesquisadores da grande área Linguística, Letras e Artes, com o intuito de promover um intercâmbio de ideias acerca da linguagem, em diferentes modalidades de abordagem científica.

Eu estou organizando um Grupo de Trabalho que receberá propostas de Comunicações Orais relacionada ao tema Literatura & Histórias em Quadrinhos, momento que tem como objetivo congregar debates e pesquisas, encerradas ou em andamento, que versem acerca da relação entre a Literatura e as Histórias em Quadrinhos. Para tanto, partimos do pressuposto de que as HQs representam uma arte autônoma, expressiva no contexto cultural contemporâneo, que agrega uma multiplicidade de elementos e aspectos em sua linguagem. No tocante à conexão dos quadrinhos com a arte literária, interessam trabalhos e discussões que problematizem as adaptações, questões de narrativa, linguagem, temas, intertexto, leitura, metalinguagem. 

O grupo de trabalho, a ser realizado na manhã do dia 08 de agosto.
Endereço do evento:
​Até 22 de junho.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

III Encontro Alagoano de Ensino de Sociologia/Ciências Sociais



Amanhã, terça-feira, 8 de maio, farei a Conferência de Abertura intitulada: "Recursos Didático para o Ensino de Sociologia na Educação Básica" do III ENALES - Encontro Alagoano de Ensino de Sociologia no SENFOR da SEDUC/Alagoas.
 
O Encontro Alagoano de Ensino de Sociologia/Ciências Sociais (ENALES) é um evento anual, promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Ciências Sociais – Xingó, vinculado ao Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em articulação com a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (SEDUC-AL).

Estamos na terceira edição do evento que, nesse ano, tem como tema “Estratégias e recursos didáticos no ensino da Sociologia Escolar”.

O III ENALES ocorrerá entre os dias 08 e 09 de maio de 2018, sendo composto por diversas atividades, tais como, conferências, grupos de trabalho, mesas redondas, minicursos, etc.
Importa ressaltar que se trata de um evento que, além de possibilitar um espaço para reflexões e discussões sobre o ensino das Ciências Sociais, se constitui também como um mecanismo fomentador de uma maior aproximação entre a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e os professores de Sociologia do Ensino Médio.

Para esta apresentação, tomarei como base o manual que escrevi sobre o assunto, disponível neste link do portal EduCapes: http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/175166 

Programação do  III Encontro Alagoano de Ensino de Sociologia/Ciências Sociais
Evento: III Encontro Alagoano de Ensino de Sociologia/Ciências Sociais
Data: 08 e 09 de Maio de 2018
Local: Centro de Formação dos Profissionais da Educação Prof. Ib Gatto Falção (Cenfor). Av. Fernandes Lima, s/n, Farol. Maceió-AL.
  

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Meu Panorama Lúdico Geral em 2017


Neste ano foram 188 jogos diferentes jogados com 452 partidas computando 398h 39min 35seg de jogatinas.
Jogos mais jogados : Terraforming Mars (28x); Scythe (26x); Terra Mystica (14x)
Mais frequentes Parceiros de jogatinas: Daniel Manso (139x); Katarina Miculis (91x); Gabriel Assunção (77x).
Nestas partidas fiquei:
Primeiro lugar em 48,8%
Segundo lugar em 33,2%
Terceiro lugar em 12,4%
Confiram nos gráficos minhas melhores e piores performances nos jogos. ...






Lista de jogos:


                              JANEIRO

1. Orléans  [3x]
2. The Castle of Burgundy : card Game [3x]
3. Red7 [4x]
4. Shipwrits of the North Sea (com Exp. + Runesaga) [2x]
5. Raiders of the North Sea (+ Runesaga) [2x]
6. Imperial Settlers [2x]
7. Dead Man's Draw [1x]
8. Lords of Scotland [2x]
9. Bruxelles 1893 [1x]
10. Splendor [1x]
11. Terra Mystica [4x]
12. Deus [1x]
13. Black Gold [1x]
14. The Oracle of Delphi [1x]
15. The Manhattan Project: Chain Reaction [1x]
16. Mare Nostrum [1x]
17. Explorers of the North Sea (+ Runesaga) [1x]
18. Runesaga of The North Sea
19. Above and Below [1x]
20. Escape: The Curse of the Temple [1x]
21. Pandemic: O Reino de Cthulhu [1x]
22. Paqtcwork [1x]
23. Saint Malo [1x]
24. Mondo [3x]
25. Mexica [1x]
26. Sultaniya [1x]
27. Twilight Struggle [1x]
28. Caylus [1x]
29. Niagara [1x]
30. Bora Bora [1x]
31. Castles of Mad King Ludwing [1x]
32. Hansa Teutonica [1x]
33. Pandemic Legacy: Season 1 [1x]
34. Race for the Galaxy [1x]
35. Elysium [1x]
36. Glass Road [1x]
37. Sentinelas do Multiverso [2x]
38. Loony Quest [1x]
39. The Resistance [1x]
40. Quadropólis [1x]
41. Tiny Epic Galaxies [1x]
42. Lords of Waterdeep[1x]
43. Agrícola [1x]
44. Mombasa [2x]
45. Gasolina de Sangue [1x]
46. Norenberc [1x]
47. Belfort [1x]
48. Dominant Species [1x]
49. Tokaido [1x]


                              FEVEREIRO

50. The Builders: Middle Ages [1x]
51. Vinhos Deluxe Edition [1x]
52. Dogs [1x]
53. The Manhattan Project [1x]
54. Carcassonne [1x]
55. Apex Theropod Deck-Building
56. Parade [5x]
57. La Isla [1x]
58. Letters from Whitechapel [1x]
59. Council of Four [1x]
60. Troyes [1x]
61. The Others: 7 Sins [1x]
62. Alchemist [1x}
63. The Werewolves of Miller's Hollow [2x]
64. Say bye to the Villains [1x]
65. Codenames [3x]
66. Il Vecchio [1x]




                              MARÇO
67. Vienna [1x]
68. Seasons [3x]
69. Elder Sign [1x]
70. Istanbul [1x]
71. Viticulture: Essencial Edition [1x]
72. Rock'n Roll Manager [1x]
73. Pandemic: Reign of Cthulhu [4x]
74. Champions of Midgard [2x]
75. The Oracle of Delphi [1x]
76. Aliens Frontiers [1x]
77. Augustus [1x]
78. The Voyages of Marco Polo [2x]
79. Through the Ages: A Story [2x]
80. Kemet [1x]
81. 7 Wonders [1x]
82. Codenames: Pictures [3x]
83. Lewis & Clark [1x]
84. Small World [1x]


                             ABRIL
85. Dead of Winter:  Noite sem Fim [1x]
86. Patchwork [3x]
87. Caçadores da Galáxia [2x]
88. Summoners Wars [3x]
89. Five Tribes [1x]
90. Ascension [2x]
91. Tyrants of the Underdark [1x]
92. Star Wars: Destiny [1x]
93. Abyss [1x]
94. Carcassonne Star Wars [1x]
95. The Manhattan Project: Chain Reaction
96. Oh, my goods! [6x]
97. Fire Team Zero [2x]
98. Project: ELITE [1x]
99. Pit Crew [1x]
100. Trajan [4x]
101. Império Lendário [1x]
102. Jórvik [2x]
103. Space Cantina [1x]
104. Concordia [2x]
105. Village [3x]
106. Discoveries [3x]
107. Barony [2x]
108. Viagem no Tempo [1x]
109. Room 25 [4x]
110. 51 State [1x]
111. Attack on Titan: Deck Building [1x]
112. CV [2x]
112. SeaFall [3x]



                             MAIO

114. King Of New York [1x]
115. New Angeles [1x]
116. Puerto Rico [1x]
117. Tiny Epic Kingdoms [1x]
118. Shadows over the Empire [1x]
119. Potion Explosion [1x]
120. World's Fair 1893 [1x]
121. Grand Austria Hotel [1x]
122. Great Western Trail [1x]
123. Brass [1x]
124. Adrenaline [1x]
125. Luna [1x]
126. Hit Z Road [1x]
127. Scythe [3x]
128. Blood Rage [2x]
129. Jogo de Trivia em Inglês que não gravei o nome [atualizar depois:P]

                             JUNHO

130. Port Royal [2x]
131. Power Grid: The Card Game [1x]
132. Ticket to Ride [1x]
133. Alba Longa [1x]
134. Rokoko [1x]
135. Glen More [1x]
136. CO2 [1x]
137. The Cave [1x]
138. A La Carte [2x]
139. Imperial 2030 [1x]
140. Spyrium [1x]
141. Eclipse [1x]
142. Stone Age [1x]
143. 7 wonders: Duel [3x]
144. Robison Crusoé:Adventures on the cursed island [1x]
145. Shadows of Brimstone: city of ancients [1x]
146. Tzolkin: the Mayan Calendar [1x]
     
                           JULHO

147. Os Reinos de Drunagor [1x]
148. Isle of Skye: From chieftain to King [1x]
149. Power Grid: Factory Manager [1x]
150. Villa Palleti [1x]
151. Mythotopia [1x]
152. Guillotine [1x]
153. Terraforming Mars [13x]
154. Barenpark [3x]

 AGOSTO


155. DC Comics Deck-Building Game [1x]
156. Cadwallon: City of Thieves [1x]
157. Sheriff of Nottingham [1x]
158. Expedition Congo River 1884 [1x]
159. Dixit [x2]

SETEMBRO

160. Matryoska [x2]
161. Potion Explosion [x3]
162. Lê Havre
163. Sushi Go Party! 
164. Santiago de Cuba 
165. What ?

OUTUBRO

166.  Caverna: The Caver Farmers
167. Century: Spice toada
168. The Gallerist

NOVEMBRO

169. Citadels
170. Rá:  the dice Gama
171. Wits & wagers
172. Mage Knight Board Gama
173. Arcanum [x4]
175. Suburbia [x2]
176. Euphoria
177. A Ilha Proibida

DEZEMBRO

178.  Clans of  Caledônia 
179. Fields of Green
180. Jorvik
181. Evolution
182. História

sábado, 4 de novembro de 2017

Artigo na Revista Gamebook do Spatótipo Alagoas 2017


A Revista Gamebook do Spatótipo foi desenvolvida com a finalidade de divulgar ações e projetos de desenvolvedores de jogos de tabuleiro na região Nordeste do Brasil.


Ela também auxilia na divulgação do Encontro de Hobbistas e Jogadores de Board Games nordestinos durante a realização do evento SPA dos Jogos.

Esta edição foi produzida da a versão Alagoas 2017 e idealizada pelo Design paraibano de Jogos Júlio Cezar.

Acesse:
(PT) https://issuu.com/spatotipo/docs/gamebook_spat__tipo 
(ES) https://issuu.com/spatotipo/docs/gamebook_spat__tipo_latino



Fiz um artigo, na sessão de encerramento da revista, intitulada "Closed Box", onde discuto sob o título "Pra quem é o jogo?" breves elementos sobre o Desenvolvimento de Jogos. O material faz parte de uma pesquisa que estou desenvolvendo desde 2015 sobre Jogos de Tabuleiros Modernos, no qual já ofereci alguns mini-cursos (veja aqui).

O breve texto pode ser acessado clicando na imagem tanto em Português, quanto em sua versão em Espanhol.


No material ainda há uma nota sobre minha participação no concurso "Desafio da Caixinha" no qual idealizamos um jogo completo que coubesse numa caixa de fósforo. Meu jogo foi o Náufragos.



Versão Textual:

(Closet Box) PARA QUEM É O JOGO?

Prof. Dr. Amaro X. Braga Jr
Doutor e Mestre em Sociologia. Esp. Em Artes Visuais, História da Arte, História das Religiões, EAD e Gestão de Ensino. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais. Professor Adjunto do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas | amaro@ics.ufal.br | axbraga.blogspot.com.br

Todas as pessoas que intentam se envolver com o mundo das jogatinas com algo mais além de jogar, sabe da complexidade e imersão que exigirá do corpo e da mente. Nestas breves palavras, os convido a refletir sobre algumas questões vitais para se compreender o jogo, o jogar e as pessoas que jogam.
A primeira questão que deveria aparecer na mente de um desenvolvedor de jogos, no momento em que se prepara para criar um jogo, deveria ser: pra quem é este jogo? Não é o tema, os materiais, as mecânicas ou quem vai ilustrar... mas saber, claramente, a quem se dirige seu material. Obviamente, para saber disso, o desenvolvedor precisa entender qual a natureza do jogo. E, por conseguinte, o que faz as pessoas jogarem. Um jogo não é apenas um objeto de entretenimento, um objeto colecionável ou uma forma de ganhar dinheiro e impressionar os colegas (bem... uma certa medida disso faz parte), mas não encerra o que é o jogo e o impacto que pode provocar nos jogadores.
Para entender para quem é o jogo, é necessário saber quem são os jogadores que jogarão o jogo e, para tanto, intuir um dos elementos mais importantes: o que faz as pessoas jogarem um jogo? E, o pior: o que as fazem se (des)agradar dele?
O jogo é um bom jogo se atender às expectativas do jogador. Há um só tipo de jogador? Há um jogador ideal? Vocês sabem que não. Então como saber? Vemos uma moda contaminar desenvolvedores com base em segmentos específicos que visam mapear e estruturar jogos com esquemas que não especificam pra quem é o jogo. Realmente para ser um bom jogo tem que ter uma duração curta? Regras simples? Miniaturas? Materiais em madeira ou espaço no insert para as cartas com sleeves? Muitos desenvolvedores estão tão preocupados em serem aceitos pela comunidade de gamers, que terminam direcionando seus jogos para um perfil generalista baseado em comentários padronizados que circulam entre os intelectuais cibernéticos e os críticos de facebook ou adotando uma ou outra opinião com base nas apreciações dos reviews de youtubers. E esquecem de responder ao principal: pra quem é seu jogo?  
Se um jogo é chamado de Family Game ele terá a mesma duração, formato e materiais de um War Game? Vocês sabem que a resposta é não. E sabem dizer o porquê? Bem, provavelmente, porque são pessoas diferentes que o jogam. Idades, necessidades e gostos diferentes. Logo, o jogo precisa se adequar ao público que o jogará e não aos padrões universais e absolutos de um boardgame moderno, como às vezes se propaga entre as comunidades de gamers.
E, por fim, como saber unificar o que você – enquanto desenvolvedor ou design de jogo – quer fazer e o tipo de público ao qual o jogo se refere? Eu preciso apresentar para você um personagem muito importante nesta equação: o Homo Ludens. Quem é ele? Como pensa? Qual o impacto dele no design dos jogos? São respostas que precisariam de um novo encontro... pois agora a rodada terminou. Quem sabe na próxima...