segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Deus no Gibi entrevista Amaro Braga

DEUS NO GIBI - ENTREVISTA

Por Fernando Passarelli
Versão original: acesse: http://www.deusnogibi.com.br/entrevistas/amaro-braga/ 
Se o Amaro Xavier Braga fosse um super-herói, ele seria daqueles que podem acessar vários poderes, tamanha a diversidade de sua formação acadêmica. É doutor em Sociologia, especialista em Ensino de História das Artes e das Religiões, em Artes Visuais e Gestão de Educação à Distância, e tem um grande envolvimento com a aplicação dos quadrinhos na educação. Não é por menos que hoje ocupa a presidência da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, a ASPAS. E, pra não sair da analogia, as ASPAS é como uma “Liga das Justiça”, porque reúne uma série de outros ‘heróis’ que estudam os quadrinhos em profundidade. “Promovemos uma mudança no cenário da pesquisa acadêmica, a partir do momento que os resultados destas pesquisas são divulgados e se transformam em produtos com maior circulação em outras esferas sociais”, explica Amaro, que também é co-autor do livro “Religiosidade nas Histórias em Quadrinhos”. Nessa entrevista, ele fala sobre o trabalho da ASPAS, o uso das HQs em sala de aula e relação entre fé e produção artística.
DEUS NO GIBI – Estamos em 2017 e ainda discutimos o uso das histórias em quadrinhos como ferramenta educacional. Por que isso ainda acontece?
AMARO BRAGA – Acredito que este panorama seja fortemente influenciado pelo histórico – e estereotípico – preconceito em relação aos quadrinhos. A ênfase como objeto infanto-juvenil e entretenimento fugaz ainda prevalecem e dificultam perceber as HQs como objetos artístico-midiáticos de entretenimento com forte impacto social e representação cultural. Se as HQs são uma mídia, e o são, deve-se esperar que, como tal, tenham a possibilidade de guardar e transmitir informação, já que é isso que uma mídia faz. Sendo assim, ainda se faz necessário desenvolver estudos diversos sobre as potencialidades das HQs e seus impactos concretos na sociedade, visando uma compreensão mais ampla do que a atual. É por isso que devemos continuar a estimular o uso das HQs, não apenas no ensino básico – que já cresce com muitas iniciativas, mas também no ensino superior, o que pode auxiliar a mudança de seus status, tradicionalmente, desvalorizante.
DEUS NO GIBI – De que forma a ASPAS, Associação dos Pesquisadores de Arte Sequencial, pode ajudar a mudar esse quadro?
AMARO BRAGA – A ASPAS surgiu com o intuito de reunir pesquisadores e pesquisadoras que vêm se dedicando a estudar as diversas interfaces das histórias em quadrinhos e ambientes congêneres. Ao reuni-los, fortifica e promove o desenvolvimento de novas gerações de pesquisadores, que se sentem estimulados por um cenário profissional mais acolhedor e valorizador de pesquisas. Fazendo isso, promovemos uma mudança no cenário da pesquisa acadêmica, que termina por afetar a própria maneira como as histórias em quadrinhos são vistas pela sociedade, a partir do momento que os resultados destas pesquisas são divulgados e se transformam em produtos com maior circulação e penetração em outras esferas sociais.
DEUS NO GIBI – Como tem sido a reação dos professores e educadores ao trabalho da ASPAS?
AMARO BRAGA – Tem sido bem positivo. Temos feito eventos cujas as atividades envolvem a capacitação de professores, principalmente na cidade de Leopoldina (MG), onde fica no sede, visando estimular o uso das HQs na sala de aula e a compreensão sobre a rica gama de possibilidades que se relacionam com as histórias em quadrinhos, tanto no que tange à pesquisa, quanto à produção e consumo. Também temos investido na produção e circulação de livros – fruto destas pesquisas – que estão associados a esta inserção das HQs na sala de aula.
DEUS NO GIBI – Como é possível defender, junto a esses mesmos professores, a aplicação dos quadrinhos em sala de aula quando muitos estão querendo, sim, é usar as lousas digitais, tablets e outro recursos multimídia?
AMARO BRAGA – Partido do princípio que estas ferramentas não são excludentes. É possível sim, usar os quadrinhos, ou sua linguagem, mediadas pelas lousas digitais, tablets e recursos multimídia. Inclusive, é aconselhável! As publicações de quadrinhos nos dias atuais já usam dos ambientes do ciberespaço para se divulgarem e serem lidas. Nada mais justo que os professores se apropriem destes materiais com intuito de desenvolver a aprendizagem e reduzir os custos com a atividade pedagógica. Ao invés da escola ter 30 ou 40 edições de uma mesma revista ou história, basta ter acesso ao volume digital e compartilhá-lo nos tablets. No livro sobre religião eu falo como pastores e missionários estão usando softwares gratuitos de produção de web-tiras e web-comics para produzir tirinhas e quadrinhos com temáticas religiosas visando atingir o público infantil ou simplesmente propagar sua fé. Estes softwares facilitam a produção por deixarem prontos, num banco de imagens, diversos personagens, objetos e cenários, que podem ser acessados, ajustados e modificados para criar uma HQ ou tirinha, mesmo que o programador não saiba desenhar. É um verdadeiro processo de revolução na maneira de produzir quadrinhos.
DEUS NO GIBI – Ou seja: papel, ilustrações e balões de fala ainda conseguem ajudar na educação dessa geração?
AMARO BRAGA – Sim, em certa medida. Ou podem atuar na transição inter-midiática: levar este material para sua versão digital, se for o caso.
DEUS NO GIBI – Que recursos a ASPAS disponibiliza para os educadores?
AMARO BRAGA – Além dos cursos de capacitação, um banco de publicações sobre o tema e uma revista científica que recebe artigos sobre o tema.
DEUS NO GIBI – Quais são as publicações da ASPAS, até o momento, sobre pesquisa e uso de quadrinhos em sala de aula?
AMARO BRAGA – São: “Arte Sequencial em Perspectiva Multidisciplinar”, organizado por Iuri Andréas Reblin e Márcio dos Santos Rodrigues, que reúne diversos trabalhos sobre múltiplos aspectos, entre eles, a questão da sala de aula; “Religiosidade nas Histórias em Quadrinhos”, organizado por mim e Iuri Andréas Reblin, que apesar do tema específico apresenta como a linguagem das HQs vem sendo usada como instrumento pedagógico entre grupos religiosos; “O Planeta Diário: Rodas de Conversa sobre Quadrinhos, Super-heróis e Teologia”, do Iuri Andréas Reblin, enfatizando como as HQs podem ser objetos mediadores de uma compreensão teológica no ensino religioso; “As Histórias em Quadrinhos e a História: Práticas que ultrapassam fronteiras”, de Natania Nogueira, retratando sua trajetória no uso das HQs na sala de Aula. A ASPAS também foi uma grande colaboradora da coleção“Quadrinhos e Educação”, organizado pelo Thiago Modenesi e por mim, com a colaboração de quase todos os sócios. As publicações saem desde 2015, pela Faculdades dos Guararapes (PE), e estão no quarto volume: “Relatos de Experiências e Análises de Publicações” (Vol.1), “Procedimentos Didáticos” (Vol.2), “Fanzines, Espaços e Usos Pedagógicos” (Vol.3) e “Experiências Docentes, Inferências Pedagógicas e Análises de Políticas Públicas” (Vol.4). A ASPAS também foi co-editora de “Questões de Sexualidade nas Histórias em Quadrinhos”, organizado por mim, em parceria com a editora universitária EDUFAL, e de “Representação do Feminino nas Histórias em Quadrinhos”, organizado também por mim e a Valéria Fernandes da Silva. Nestes dois últimos a questão da educação sexual e de gênero se interliga com os quadrinhos. Nestes dois livros há diversos artigos sobre o uso das publicações para à educação para a diversidade, por exemplo.
DEUS NO GIBI – O que mais vem pela frente?
AMARO BRAGA – Nos próximos meses será lançado um livro meu que foi produzido numa ampla pesquisa, entre 2013 e 2015, mapeando todas as publicações de quadrinhos relacionadas as religiões no Brasil, que se chama “Religiosidade nas Histórias em Quadrinhos Brasileiras”. É um levantamento inédito que mapeia tudo que foi feito no nosso território, publicado em revista, tira, cartuns e digitais. E um dos focos importante é identificação de como as HQs foram sendo utilizadas para o ensino religioso por budistas, kardecistas, umbandistas, muçulmanos, judeus e cristãos católicos e protestantes.
DEUS NO GIBI – Qual a influência da ‘fé’ de um autor na criação e desenvolvimento dos seus personagens e narrativas em quadrinhos? O ‘criador’ (de HQ) sempre irá fazer sua ‘criatura’ (personagem/roteiro) à sua imagem e semelhança?
AMARO BRAGA – Há dois aspectos que devem ser considerados. Em primeiro lugar, todo e qualquer produtor de quadrinhos, seja ele roteirista ou desenhista, insere, conscientemente ou não, valores pessoais durante o processo de produção material. Venho discutindo estes elementos nas minhas pesquisas. Como as HQs são produtos culturais, contém dentro de si valores da cultura em que são produzidas. Valores ambientados na cultura, no espaço e no tempo em que são produzidas. Não há como evitar isso. Em segundo lugar, se examinarmos os quadrinhos religiosos, a função deles é justamente imprimir valores religiosos específicos que são idealizados pelos seus produtores. Há desenhistas que abdicaram do mercado aberto de HQs apenas para se dedicar à produção de quadrinhos cristãos que não iriam de contra as suas ideologias religiosas, ou missionários que tem se dedicado a produzir quadrinhos de super-heróis brasileiros com a temática cristã. Podem até se recusar a fazer ou ler quadrinhos que discutam outros temas devido às questões teológicas. Isso mostra que, pra eles, sim, seus quadrinhos representam sua imagem e se assemelham a um “trabalho de Deus” e, portanto, precisam se adequar àqueles parâmetros religiosos. Mas é preciso ter cuidado, pois nem ‘sempre’ isso acontecerá. Um desenhista ou roteirista, devido aos contratos profissionais, pode, eventualmente, fazer algo fora do seu escopo. Mas a tendência é que seus produtos estejam impregnados em algum nível com seus ideais estéticos, sociais, culturais, políticos e religiosos.
DEUS NO GIBI – Numa nação predominantemente católica, que passa pelo crescimento da fé evangélica neo-pentecostal, existem muitas publicações envolvendo religião?
AMARO BRAGA – É muita publicação sendo produzida de maneira ininterrupta ao longo das décadas e em todos os níveis: de tirinhas, passando por álbuns seriados de quadrinhos e outras experiências estéticas como webcomics e webtiras. Os quadrinhos cristãos superam com folga as demais esferas religiosas e o crescimento protestante e neo-pentecostal pode também ser observado nestas publicações. Praticamente todas as denominações neo-pentecostais tem publicação de quadrinhos infantil visando evangelização. A grande questão é que estas publicações não circulam em bancas de revistas, mas em ambientes próprios e por assinatura, em circulação restrita. Eu tenho feito um levantamento que visa identificar as produções explícitas que se relacionem na interface quadrinhos e religião. Já o professor Iuri Reblin tem desenvolvido pesquisas que analisam o discurso teológico em publicações de quadrinhos que não necessariamente possuem uma relação explícita com a religião. São quadrinhos comerciais, por exemplo, e, mesmo assim, possuem um discurso religioso. Mas, quando falamos em gênero de quadrinhos religiosos, eles são muitos e constantes.
DEUS NO GIBI – Por último, nos gibis, em geral, quem é Deus e qual papel ele desempenha?
AMARO BRAGA – Asim como acontece na diversidade religiosa, “Deus” nos quadrinhos assume diversas formas de acordo com os valores de quem produz a HQ. Não há uma visão absoluta e unificadora da deidade. Uma coisa é certa: ele nunca é esquecido.


Para acompanhar o trabalho da ASPAS, acesse:

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Oficina no II ENALES: A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS ENQUANTO RECURSO DIDÁTICO NAS AULAS DE SOCIOLOGIA


Hoje, a partir das 13h30, ministro uma oficina no II ENCONTRO ALAGOANO DE ENSINO DE SOCIOLOGIA/CIÊNCIAS SOCIAIS – II ENALES: Ensino de Sociologia em Tempos de Reforma do Ensino Médio que ocorre de 25 e 26 de Abril de 2017.
 O II ENALES é um evento anual, promovido pelo Xingó, voltado às discussões em torno do ensino de Ciências Sociais/Sociologia. Caracteriza-se, também, como um espaço fomentador de maior aproximação entre a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e professores de Sociologia do Ensino Médio. 
sobre a oficina:
A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS ENQUANTO RECURSO DIDÁTICO NAS AULAS DE SOCIOLOGIA
Propositor: Amaro Braga Junior – ICS/UFAL
Nenhum recurso didático é mais eficiente do que aquele que o aluno já tem contato e o consome como lazer e diversão. Quadrinhos, as charges, caricaturas e tiras-em-quadrinhos são exemplos de como a linguagem dos quadrinhos é consumida pela população. a oficina busca debater e apresentar, tanto numa perspectiva teórica, quanto prática, como estes materiais podem ser usados como recursos didáticos, isto é, instrumentos de apoio no trabalho docente em sala de aula, especificamente relacionado aos conteúdos das ciências sociais no ensino básico. 
Tendo em vista que a leitura do material também permite ao aluno a compreensão que o entendimento dos fenômenos sociais pode ser detectado em qualquer realidade, exercitando seu olhar crítico para a realidade vivente, ao passo que aprende a identificar situações semelhantes nas publicações ficcionais dos quadrinhos.

LOCAL: BSA2, sala 6, UFAL. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Riso como arma de contestação ou naturalização de discursos

O Riso como arma de contestação ou naturalização de discursos


Em tempos de termos como “politicamente correto”, “mimimi”, “problematização” e muitos discursos superficiais em comentários acalorados nas redes sociais, entender um pouco sobre alguns conceitos relacionados ao humor talvez se faça necessário.
O polêmico filósofo Zizeck afirma em um de seus vídeos que o politicamente correto é uma forma de totalitarismo. Frank Cho alegou sofrer censura na DC por ter seus desenhos editados. Várias pessoas, diante da crítica ou contestação de sua expressão, alegam estar sendo censuradas. Não, quanto à última afirmação, não se trata de um dado empírico, mas poderia ser verificável por qualquer pesquisador que se interesse pelo assunto.
A questão é, além do desconhecimento sobre o que realmente significa censura, parece haver uma certa desonestidade intelectual para entender que escolhas editoriais nada têm a ver com censura. Nem mesmo o que as pessoas entendem como autocensura, no caso de alguns artistas, chegaria perto disso, porque não existem ferramentas legais ou qualquer argumentação plausível que indique que essas pessoas serão presas, exterminadas, punidas, torturadas por publicarem ou expressarem o que quer que seja.
O que existe é consequência, que nos faz diretamente responsáveis pelo que divulgamos. Caso ofenda alguém, existem medidas legais para lidar com o problema, mas não há, no meio editorial brasileiro ou em grande parte dos países ocidentais, censores que proíbam que algo seja publicado previamente. O que existe são escolhas editoriais baseadas em performances de lucro, existe um sistema capitalista que prevê que certas produções agradam ou não alguns grupos e baseados nisso, os editores decidem o que será publicado.
Arte de Motoca
Maíra Colares
Obviamente, alguns meios possuem inclinações políticas, religiosas, raciais, sociais, que podem determinar a linha editorial de uma publicação. Ainda assim, vale lembrar que, quando se trata de liberdade de expressão, os conceitos mais amplamente difundidos no ocidente, tratam de garantir e proteger a liberdade de expressão individual como um direito inalienável de ter acesso à informação. Ou seja, publicações em meios que visam lucro, não podem requerer para si a mesma amplitude dos direitos individuais.
De qualquer forma, apesar da interpretação de certas manifestações serem muito pessoais e subjetivas, vale lembrar que o humor não é apenas uma forma de provocar escárnio e ridicularizar comportamentos. O professor e cartunista premiado Osvaldo da Costa, em seu livro Uma Ovelha Negra na Produção Midiática, lembra que o humor também pode ser uma arma de contestação política:
“A linguagem do humor – arma política contra regimes repressivos – é também considerada subversiva e de contracultura – pode ser narrada por meio do teatro, da música, da literatura, da imprensa, do cinema e do desenho de humor. Tem como finalidade provocar o riso ou o sorriso. O risível nas piadas e paródias, como imitação burlesca, era um dos recursos mais populares entres os bufões na Antiguidade. Rir de si mesmo e do seu semelhante, seja em tom jocoso ou de escárnio, é um traço marcante da natureza humana desde os tempos mais remotos.”
Salsicha em Conserva
https://www.facebook.com/salsichaemconservahq/
O escritor e semiólogo Umberto Eco, conhecendo o poder inquietador do riso, dedicou uma das de suas maiores obras a ele. Em O nome da Rosa, thriller ambientando na França medieval, a luta dos monges beneditinos do mosteiro de Melk para proteger um manuscrito nunca publicado de Aristóteles acaba causando inúmeras mortes e deixando um rastro de sangue. De acordo com as convicções dos monges mais conservadores do romance, o riso seria algo muito próximo da morte e da corrupção do corpo, mas o filósofo grego, em seu livro que só existiu na ficção, alertava para o poder libertador do riso como um veículo da verdade.
“O riso desvia, por alguns instantes, o vilão do medo. Mas a lei impõe-se através do medo, cujo nome verdadeiro é temor de Deus. E deste livro poderia partir a centelha luciferina que transmitiria ao mundo inteiro um novo incêndio: e o riso designar-se-ia como a arte nova, ignorada até de Prometeu, para anular o medo. Ao vilão que ri naquele momento, não importa morrer: mas depois, cessada a sua licença, a liturgia impõe-lhe de novo, segundo o desígnio divino, o medo da morte. E deste livro poderia nascer a nova e destruidora aspiração a destruir a morte através da libertação do medo. E que seríamos nós, criaturas pecadoras, sem o medo, talvez o mais provido e afetuoso dos dons divinos?”(ECO,1980: 359)
Sendo então o riso capaz de nos guiar no caminho de descobertas sobre verdades que talvez nossos governantes prefiram que não tomemos conhecimento, não é de se espantar que tantos cartunistas tenham sido ameaçados, torturados ou mortos durante regimes ditatoriais ocorridos na América Latina, como foi o caso do autor de El Eternauta. Héctor Germán Oesterheld foi sequestrado, assim como quatro de suas filhas, duas delas grávidas, durante o regime militar da Argentina. Apesar de El Eternauta ser uma história de ficção, o conteúdo de sua segunda parte apresenta teor político, o que teria causado o desaparecimento de um dos autores mais consagrados de histórias em quadrinhos da América Latina.
https://www.facebook.com/pg/sirlanneynogueira/photos/
Todo mundo erra – por Sirlanney e Clara Averbuck Magra de ruim
Muito embora estejamos acostumados a associar o riso ao escárnio e à representação de estereótipos que acabam perpetuando certas opressões, entendemos que sua função crítica foi e ainda é extremamente necessária quando se trata de contestar sistemas políticos ou situações com as quais não concordamos. Porém, o que talvez não estejamos acostumados a perceber, é que o riso também pode ser uma forma de naturalizar comportamentos que são recriminados socialmente.
O professor, pesquisador e um dos diretores da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS, Amaro Braga, tem se dedicado à pesquisa de tiras cômicas e histórias em quadrinhos que, ao abordarem temas como religião, sexualidade e gênero, façam isso como uma forma de naturalizar comportamentos e práticas, ao invés de perpetuarem um discurso de ódio e preconceito contra grupos minorizados.
Em sua apresentação no XVII Congresso Internacional de Humor Luso-Hispânico, na UNESP/Araraquara, Amaro usou exemplos de tiras e HQ que, além de abordar temas que os professores sentem dificuldade de trabalhar em sala de aula, fazem isso de forma cômica e natural, o que propiciaria aos educadores acessar seus alunos de formas mais tranquila e leve, principalmente se tivermos em mente que os alunos provavelmente já têm acesso a estes trabalhos via internet e redes sociais.
https://www.facebook.com/transistorizada/
Portanto, ainda que estejamos mais acostumados a entender o humor como uma forma de humilhar certos grupos, carecemos mesmo é de boa interpretação e melhor desenvolvimento de nossas capacidades cognitivas. Carecemos também de uma educação que nos ensine que nenhuma produção cultural é desprendida de seu contexto e que conhecer previamente o posicionamento de quem produz é fundamental para interpretar certas obras.
Por isso, vou comentar rapidamente dois exemplos apenas para ilustrar o que já mencionei acima.
Quem acompanha a página Motoca, já sabe que o posicionamento da artista está alinhado com um pensamento que privilegie a visibilidade de grupos minorizados, no sentido de promover reflexões que possam favorecer maior empatia por parte de quem costuma oprimir os outros. Quando da polêmica  – que sequer deveria ter virado notícia – do turbante, a página postou essa ilustração/charge que foi interpretada de maneiras diferentes por pessoas de convicções contrárias. Minha leitura – confirmada pela própria artista – foi que as pessoas que apoiaram a hashtag #vaiterbrancadeturbantesim – ou algo do gênero – não atentaram para o fato de que o problema vai muito além de poder ou não usar um pano na cabeça, já que os maiores representantes de culturas que fariam uso de turbante no Brasil, são assassinados, apedrejados… Uma forma de dizer que a cultura negra é popular, mas os negros não.
Turbante
https://www.facebook.com/colaresmaira/
No entanto, uma quantidade grande de pessoas interpretou como uma forma da artista dizer que ninguém deveria se importar com um turbante, porque existiam problemas maiores, como se ela estivesse endossando a fala do “estão fazendo mimimi, a pessoa usa o que quiser”, quando na verdade, essa nem é a questão do problema.
Uma mesma ilustração gerou leituras com interpretações diferentes, tal qual aconteceu com esse post do Sensacionalista, sabidamente satírico, mas ainda assim, também com posicionamento mais alinhado com os movimentos sociais, e que foi problematizado por algumas mulheres como sendo uma piada com um assunto sério, quando se trata na verdade de uma forte crítica a um comportamento naturalizado. Nesse sentido, o que se buscou aqui foi chamar a atenção para algo que é naturalizado e não deveria ser.

Longe de encerrar a discussão, porque é um tema polêmico, o objetivo aqui é justamente lembrar que discussões e análises superficiais não contribuem para que problemas sérios sejam sanados. O humor também é coisa muito séria e sua produção é necessária para que certos assuntos continuem sendo abordados de forma crítica, ainda que por meio do riso.
https://www.facebook.com/mundomeioroxo/
Todo mundo meio roxo
DA COSTA, Oswaldo. UMA OVELHA NEGRA NA CULTURA MIDIÁTICA: Inovações do Humor Gráfico na imprensa alternativa brasileira. São Caetano do Sul. Universidade Municipal de São Caetano do Sul. 2012. Disponível em: http://repositorio.uscs.edu.br/handle/123456789/256
ECO, Umberto. O nome da Rosa. São Paulo. Record. 2009
Dani Marino
Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Minas Nerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Imagens: Mesa redonda: Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.


Vídeo com os primeiros minutos, clique aqui.

Mesa redonda: Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.
Com Alex Gomes (Cin-UFPE) e Amaro Braga (ICS-UFAL).
Coordenação: Túlio Velho Barreto (FUNDAJ)




terça-feira, 13 de setembro de 2016

seminário Sociolog@ndo na UFPE




O seminário Sociolog@ndo: ensino de sociologia e suas conexões, é uma iniciativa do Núcleo de Pesquisa em Ensino e Sociologia (NUPESO/UFPE), que tem por objetivo discutir o ensino de sociologia a partir da produção da área e dos projetos de intervenção construídos no Programa Institucional de Iniciação a Docência (PIBID/Sociologia). 

O evento pretende aproximar as discussões do campo da profissionalização docente com as diversas práticas no ensino de sociologia. Dessa forma, espera-se contribuir na formação de licenciandos em Ciências Sociais e professores da educação básica no que se refere ao processo de ressignificação da prática docente e do reconhecimento do seu caráter plural. 




PROGRAMAÇÃO

27 DE Setembro | Terça
Credenciamento - 10:00 - 13:00
Abertura - 14:00 -14:30

Palestra de abertura |14:30 – 15:30 |
A profissionalização docente e o ensino de sociologia.
Profa. Silke Weber (UFPE)

Apresentação cultural |15:30 - 16:00 |

Mesa redonda |16:00 - 17:30 |
A questão racial e o ensino de Sociologia.
Liana Lewis (UFPE): Educação e Relações Raciais: Caminhos para desafiar o racismo na escola.
Francisco Jatobá (UFPE): Universidade e ações afirmativas: o que pensar para além das cotas?
Cristiano França (FACOL): Sociologia e questões raciais: desafios pedagógicos para @s professor@s de sociologia no Ensino Médio.
Coordenação: Silke Weber (UFPE)

Apresentações Orais |19:00 – 21:00|
Coordenação: Erinaldo Carmo (UFPE) e Ivan Fontes Barbosa (UFPB)
28 DE Setembro | Quarta

Mesa redonda |14:00 -15:30|
Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.
Alex Gomes (UFPE): Novas tecnologias e a educação.
Alex Vailati (UFPE): O uso do audiovisual no ensino.
Amaro Braga (UFAL) :A linguagem dos quadrinhos nas aulas de sociologia.
Coordenador: Túlio Velho Barreto (FUNDAJ)
Mesa redonda |15:30 -17:00 |
Gênero, sexualidade e diversidade no ensino e na formação de professores.

Marion Quadros (UFPE): Antropologia, Gênero e Sexualidade na formação docente.
Marcelo Miranda (UFPE): Gênero, sexualidade e Sociologia na formação docente.
Ana Claudia Rodrigues (UFPE): Diversidade e interseccionalidade na formação docente.
Coordenação: Maria do Carmo Gonçalo Santos (UFRPE/SERRA TALHADA)

Palestra |18:00 -19:00 |
Linguagem como prática social: analisando gêneros midiáticos da cultura popular urbana paulista.
Profa. Anna Bentes (UNICAMP)

Mesa redonda |19:00 - 20:30 |
Experiências institucionais no ensino de sociologia.
Alexandre Zarias (FUNDAJ) – Mestrados Profissionais para o Ensino: percursos da Sociologia.
José Hermógenes Moura (UNIVASF)- Experiências em temas transversais no ensino de sociologia: PIBID/UNIVASF - Drogas na Escola e a Prevenção de Danos.
Vânia Fialho (UPE) – Ensino, Pesquisa e Extensão na Licenciatura em Ciências Sociais: o tripé como componente curricular.
Coordenação: Ivan Fontes Barbosa (UFPB)
29 DE Setembro | Quinta

Mesa redonda | 14:00 – 15:30 |
Cultura, movimentos sociais e educação.

Cibele Rodrigues (FUNDAJ): Educação popular, cultura, movimentos sociais e aprendizagens.
Cezar Candeias (UFAL): Culturas Juvenis e o Currículo: pensando elementos para o Ensino da Sociologia.
Fernanda Alencar (UFPE/CAA): Educação do campo e direito: diversidade e inclusão no campo.
Coordenação: Cristiano França (FACOL)

Mesa redonda | 15:30 -17:00 |
O papel da linguagem no ensino.
Suzana Cortês (UFPE ) : Linguagem e ensino: dialogado com as experiências do PIBID Letras Português.
Rosane Alencar (UFPE): Linguagem, conversação e o ensino de sociologia.
Fabiele Stockmans De Nardi (UFPE): Ler, descrever, interpretar: pensando o sentido pelo viés da análise do discurso.
Coordenação: Conceição Lafayette (UFPE)

Mesa redonda | 17:00 – 18:30 |
Trabalho docente, valores e ensino de sociologia.
Conceição Lafayette (UFPE): Práticas educativas na perspectiva do cuidado: a extensão universitária na Escola.
Simone Brito (UFPB): O esquecimento da politica: vocação  e experiência moral na formação de professores.
Sidartha Soria (UFPE): Educação e trabalho: o olhar dos docentes de humanidades em universidades interiorizadas no Nordeste.
Coordenação: Marcelo Miranda (UFPE)

Palestra de encerramento | 18:30 -19:30 |
Profa. Alice Botler (UFPE): Violências e conflitos na escola: desafios para a formação do educador.

Coffee-break | 19:30 -20:00 |
Lançamentos | 20:00- 20:30 |
Revista Idealogando e Idealogando Visual
Apresentação cultural | 20:30 – 21:00 |

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Entrevista para a Feira do Livro de Frankfurt

PROFESSORES LEITORES DE HQS CONSEGUEM MELHOR RESULTADO

POR IVANI CARDOSO
Pesquisas demonstram que não há correlação entre o baixo rendimento dos alunos e leitura das HQs (isto é, as HQs não são deseducadoras como muitos pensam). Além disso, os dados revelam que há uma relação entre a não leitura das HQs e o baixo rendimento, isto é, as notas mais baixas estão entre os alunos que não leem quadrinhos. As afirmações são de Amaro Braga, quadrinhista e sociólogo, um dos autores da obra “Quadrinhos & Educação volume 3: Fanzines, espaços e usos pedagógico”.Estudioso do tema e leitor voraz de quadrinhos, ele diz que o gênero é muito utilizado na escola em vários países, não apenas como indicativo de leitura paradidática, mas como leitura principal. Amaro afirma que os professores no Brasil ainda têm muito preconceito na hora de adotar HQS na sala de aula, muitas vezes até por desconhecimento. Para os educadores que desejam entrar nesse mundo adorado pelos alunos, ele dá algumas dicas: Pedir a ajuda dos alunos para selecionarem o material; ler bastante aquilo que circula no mercado e fazer anotações em busca de inter-relações com seus temas de aula. E, principalmente, estar disposto a promover estas interseções didáticas com o material escolar”. Amaro é licenciado e bacharel em Ciências Sociais, Especialista em História da Arte, Especialista em Artes Visuais, Especialista em EAD, Mestre e Doutor em Sociologia. Já publicou seis livros sobre quadrinhos e nove álbuns.  Em 2007, ganhou o HQMIX de melhor contribuição para os quadrinhos pelo álbum “Passos Perdidos, História Desenhada” sobre a presença judaica em Pernambuco. É professor Adjunto no Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. Seu blog:www.axbraga.blogspot.com.br
Há estudos comprovando a eficácia das HQs na sala de aula?
Sim, há.  O conselho nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, publica todos os anos um relatório chamado “Retrato da Escola”, no qual constam diversos levantamentos sobre temas relevantes. Entre eles há avaliação do porcentual de proficiência (nível das notas) entre estudantes leitores de quadrinhos e não leitores. Os levantamentos têm demonstrado que não há correlação entre o baixo rendimento dos alunos e leitura das HQs (isto é, as HQs não são deseducadoras). Além disso, os dados mostram que há uma relação entre a não leitura das HQs e o baixo rendimento, isto é, as notas mais baixas estão entre os alunos que não leem quadrinhos. E ainda, que professores que leem quadrinhos conseguem maior rendimento de seus alunos em comparação com os professores que não leem. Há diversos outros estudos, mais qualitativos (em forma de dissertação de mestrado e teses de doutorado) que realizam estudos de recepção mostrando a eficácia dos quadrinhos na sala de aula.
Que tipo de HQs são os mais indicados para a aprendizagem?
Não existe um tipo definido. Todas as HQs podem e têm potencialidades para o uso pedagógico. Os quadrinhos e a linguagem dos quadrinhos são recursos didáticos que podem ser explorados por quaisquer disciplinas e conteúdos, basta o professor ter conhecimento do material e desenvolver uma ação que o envolva. Se tivéssemos que elencar um tipo, seria aquele que o aluno já anda lendo. Se ele já ler uma HQ específica, é meio caminho andado para que o processo de aprendizagem ocorra, pois, o professor apenas despertará a compreensão sobre os fenômenos de interesse da disciplina. O aluno, ao conhecer a história ou o material quadrinizado pode, inclusive, participar com mais proeminência de um debate ou discussão e realizar a correlação entre a leitura e o conteúdo focado na aula.
Que conteúdos mais favorecem o uso dos quadrinhos?
Não existe um mais favorecido. Todos têm a mesma potencialidade. Agora, ultimamente, tem sido mais frequente aqueles conteúdos desenvolvidos pelos professores de português (no campo da linguística), história e literatura (devido às adaptações literárias).  Mas qualquer conteúdo pode ser efetivado. Já foram publicados no Brasil, mangás (quadrinhos japoneses) que ensinam estatística, cálculo, genética e processamento de dados (Só para citar os mais diferentes), tudo em quadrinhos.
Quando saiu seu livro? Como surgiu a ideia?
Em 2014 fizemos um levantamento sobre as pesquisas sobre quadrinhos e descobrimos que a grande maioria de estudos acadêmicos (monografias, dissertações e teses) estavam na área de educação. O Prof. Dr. Thiago Modenesi (FG/PE) já havia montado uma coletânea sobre “Quadrinhos e Educação” com cinco trabalhos de pesquisadores que atuaram na área (no qual eu participo e ele mesmo, tendo feito uma dissertação e uma tese em Educação focando as HQs) naquele mesmo ano e, após algumas conversas, resolvemos montar a coletânea “Quadrinhos e Educação”, para reunir os trabalhos destes pesquisadores. Em 2015, lançamos os volumes 1 e 2 com trabalhos de trinta e seis pesquisadores brasileiros e estrangeiros. E, agora, no primeiro semestre de 2016, lançamos o terceiro volume com mais dez artigos de pesquisadores de diversas regiões do Brasil. Já estamos trabalhando no volume 4.
Os professores têm dificuldades em assumir o uso de HQs na sala de aula?
Em princípio, sim. Pois ainda há muito preconceito por parte do tipo de leitura ser considerada infantil ou juvenil e de um entretenimento fugaz. Mesmo quando eles não têm esta perspectiva, encontram dificuldade em conhecer este universo gigantesco de publicações. O que os professores devem fazer é consultar aqueles que mais conhecem os quadrinhos, os grandes especialistas no assunto: os jovens leitores. São os próprios alunos que conhecem centenas de publicações. A seleção ou busca de material deve começar entre os alunos que podem vasculhar suas memórias e coleções no encontro de material de relevância para as aulas. Obviamente, os professores que são leitores de histórias em quadrinhos possuem uma facilidade muito maior em introduzir as temáticas e as dinâmicas envolvendo o material.
Quais são as idades que mais leem HQs?
Depende do local/região e dos gêneros de publicação. Os estudos de recepção mostram que é extremamente diversificado e muito restrito a determinados segmentos. Entre os quadrinhos infantis, como Turma da Mônica, estão as crianças até 12 anos; já entre os quadrinhos de super-heróis, jovens dentre 14 e 24 anos. Isto é, os segmentos etários variam conforme o gênero de publicação. Mesmo assim, há membros de quase todas as faixas etárias em cada segmento.
Os quadrinhos favorecem a leitura de outros segmentos editoriais?
Depende do tipo de quadrinhos e do público-alvo. Nos quadrinhos infantis, não. Já nos quadrinhos undergrounds, sim. Não há uma correlação significativa entre estes dados. Os quadrinhos não podem ser vistos como uma ponte para um tipo de acesso literário. Ele é um gênero independente. Seu consumo não facilita ou caminha para o consumo de outros materiais, necessariamente.
Como está o mercado de HQs no Brasil?
O mercado brasileiro anda em pleno processo de desenvolvimento. Não tem a mesma estrutura de mercados consolidados como o japonês, o europeu ou o norte-americano, mas caminha num processo, um pouco estável, mas crescente. Hoje, muito mais que nas últimas duas décadas, é mais fácil produzir e publicar no Brasil, muito devido às iniciativas coletivas (como o financiamento coletivo) e aos recursos cibernéticos (como o uso do facebook e de blogs para publicar webcomics e webtiras). Ainda é muito difícil viver profissionalmente deste segmento (são poucos os que conseguem), mas as vagas estão aumentando e a mentalidade comercial das empesas, se modificando, mesmo que devagar.
Quais os seus quadrinhos preferidos?
Devido à minha atuação como pesquisador de quadrinhos, termino lendo de tudo e não tendo um segmento preferencial. Mas tendo a consumir com mais intensidade e prazer os quadrinhos japoneses, os mangás.
Quando começou a gostar do tema?
Como boa parte dos jovens, comecei a ler quadrinhos na pré-adolescência. A prática me levou ao colecionismo e, por conseguinte, a um clube de colecionadores de quadrinhos em Recife, chamado Nanquim. Neste grupo, começamos a desenvolver praticas de discussão sobre este universo e de pesquisar publicações diferentes. O grupo cresceu e se institucionalizou, realizando diversas exposições sobre o tema, por volta do início da década de 1990. Isso me levou à pesquisa acadêmica, e a realizar um mestrado e um doutorado sobre quadrinhos na área de sociologia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Novo Artigo: O Humor dos Mangás e a Educação para a Diversidade Sexual e de Gênero





Acabou de sair a nova edição da Revista 9ª Arte.
Entre os artigos, consta um meu, intitulado: "O Humor dos Mangás e a Educação para a Diversidade Sexual e de Gênero"



O Humor dos Mangás e a Educação para a Diversidade Sexual e de Gênero 
Nona Arte: Revista Brasileira de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos. , v.5, n.1, p.33 - 44, ago. 2016. São Paulo: ECA-USP.  ISSN - 2316-9877

[artigo completo: acesse aqui]