sábado, 4 de novembro de 2017

Artigo na Revista Gamebook do Spatótipo Alagoas 2017


A Revista Gamebook do Spatótipo foi desenvolvida com a finalidade de divulgar ações e projetos de desenvolvedores de jogos de tabuleiro na região Nordeste do Brasil.


Ela também auxilia na divulgação do Encontro de Hobbistas e Jogadores de Board Games nordestinos durante a realização do evento SPA dos Jogos.

Esta edição foi produzida da a versão Alagoas 2017 e idealizada pelo Design paraibano de Jogos Júlio Cezar.

Acesse:
(PT) https://issuu.com/spatotipo/docs/gamebook_spat__tipo 
(ES) https://issuu.com/spatotipo/docs/gamebook_spat__tipo_latino



Fiz um artigo, na sessão de encerramento da revista, intitulada "Closed Box", onde discuto sob o título "Pra quem é o jogo?" breves elementos sobre o Desenvolvimento de Jogos. O material faz parte de uma pesquisa que estou desenvolvendo desde 2015 sobre Jogos de Tabuleiros Modernos, no qual já ofereci alguns mini-cursos (veja aqui).

O breve texto pode ser acessado clicando na imagem tanto em Português, quanto em sua versão em Espanhol.


No material ainda há uma nota sobre minha participação no concurso "Desafio da Caixinha" no qual idealizamos um jogo completo que coubesse numa caixa de fósforo. Meu jogo foi o Náufragos.



Versão Textual:

(Closet Box) PARA QUEM É O JOGO?

Prof. Dr. Amaro X. Braga Jr
Doutor e Mestre em Sociologia. Esp. Em Artes Visuais, História da Arte, História das Religiões, EAD e Gestão de Ensino. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais. Professor Adjunto do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas | amaro@ics.ufal.br | axbraga.blogspot.com.br

Todas as pessoas que intentam se envolver com o mundo das jogatinas com algo mais além de jogar, sabe da complexidade e imersão que exigirá do corpo e da mente. Nestas breves palavras, os convido a refletir sobre algumas questões vitais para se compreender o jogo, o jogar e as pessoas que jogam.
A primeira questão que deveria aparecer na mente de um desenvolvedor de jogos, no momento em que se prepara para criar um jogo, deveria ser: pra quem é este jogo? Não é o tema, os materiais, as mecânicas ou quem vai ilustrar... mas saber, claramente, a quem se dirige seu material. Obviamente, para saber disso, o desenvolvedor precisa entender qual a natureza do jogo. E, por conseguinte, o que faz as pessoas jogarem. Um jogo não é apenas um objeto de entretenimento, um objeto colecionável ou uma forma de ganhar dinheiro e impressionar os colegas (bem... uma certa medida disso faz parte), mas não encerra o que é o jogo e o impacto que pode provocar nos jogadores.
Para entender para quem é o jogo, é necessário saber quem são os jogadores que jogarão o jogo e, para tanto, intuir um dos elementos mais importantes: o que faz as pessoas jogarem um jogo? E, o pior: o que as fazem se (des)agradar dele?
O jogo é um bom jogo se atender às expectativas do jogador. Há um só tipo de jogador? Há um jogador ideal? Vocês sabem que não. Então como saber? Vemos uma moda contaminar desenvolvedores com base em segmentos específicos que visam mapear e estruturar jogos com esquemas que não especificam pra quem é o jogo. Realmente para ser um bom jogo tem que ter uma duração curta? Regras simples? Miniaturas? Materiais em madeira ou espaço no insert para as cartas com sleeves? Muitos desenvolvedores estão tão preocupados em serem aceitos pela comunidade de gamers, que terminam direcionando seus jogos para um perfil generalista baseado em comentários padronizados que circulam entre os intelectuais cibernéticos e os críticos de facebook ou adotando uma ou outra opinião com base nas apreciações dos reviews de youtubers. E esquecem de responder ao principal: pra quem é seu jogo?  
Se um jogo é chamado de Family Game ele terá a mesma duração, formato e materiais de um War Game? Vocês sabem que a resposta é não. E sabem dizer o porquê? Bem, provavelmente, porque são pessoas diferentes que o jogam. Idades, necessidades e gostos diferentes. Logo, o jogo precisa se adequar ao público que o jogará e não aos padrões universais e absolutos de um boardgame moderno, como às vezes se propaga entre as comunidades de gamers.
E, por fim, como saber unificar o que você – enquanto desenvolvedor ou design de jogo – quer fazer e o tipo de público ao qual o jogo se refere? Eu preciso apresentar para você um personagem muito importante nesta equação: o Homo Ludens. Quem é ele? Como pensa? Qual o impacto dele no design dos jogos? São respostas que precisariam de um novo encontro... pois agora a rodada terminou. Quem sabe na próxima... 



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Primeiro dia do curso de Extensão sobre Judaísmo



Na segunda-feira, 09 de outubro, das 14h às 18h, no auditório Prof. Paulo Décio, no ICS/UFAL, aconteceu o primeiro encontro do curso de extensão sobre Judaísmo: Mitos, Rituais e Símbolos, ministrado por mim para a comunidade acadêmica e interessados na temática.

Foram 108 inscritos, a maioria estudantes universitários de graduação e mestrado, mas cerca de 21% de pessoas de fora da universidade.

Veja aqui mais fotos da primeira sessão: 





Crédito das Fotos: Quemuel Baruque


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Mini-curso: "Judaísmo: Mitos, Rituais e Símbolos sob uma Perspectiva Sócio-Antropológica"


press-release
Mini-curso: "Judaísmo: Mitos, Rituais e Símbolos sob uma Perspectiva Sócio-Antropológica "

O Instituto de Ciências Sociais da UFAL está com inscrições abertas para um mini-curso para quem tem interesse em saber um pouco mais sobre a religiosidade judaica. O curso, intitulado "Judaísmo: Mitos, Rituais e Símbolos sob uma Perspectiva Sócio-Antropológica", com duração de oito horas, ocorrerá em dois encontros: nas segundas-feiras, dias 9 e 16 de outubro, das 14h até às 18h, no auditório Prof. Paulo Décio no prédio do Instituto de Ciências Sociais (ICS) no campus A. C. Simões da UFAL (Maceió).

O curso é direcionado aos interessados na temática, tanto para estudantes universitários mas também ao público em geral. Não há pre-requisitos e as inscrições são gratuitas a serem realizadas pela internet, através do link: https://goo.gl/HocaG5 ou ainda no local (ambos sujeitos à lotação do auditório). Aqueles que frequentarem os dois dias do mini-curso receberão certificado.

Os conteúdos e a exposição ficarão a cargo do Professor Amaro Braga, doutor em Sociologia e Especialista em História das Religiões. O curso é uma promoção do LIER - Laboratório Interdisciplinar de Estudos das Religiões e conta com a monitoria dos alunos do curso de bacharelado em Ciências Sociais, Marcos Alves e Quemuel Rodrigues.

"A proposta do curso é apresentar, por vias de um panorama sociológico e antropológico, focado nos elementos simbólicos e litúrgicos, as práticas religiosas do judaísmo" revela o professor Amaro Braga. "O Judaísmo é uma das religiões monoteístas mais conhecidas no mundo e com grande impacto histórico, cultural e religioso no ocidente, inclusive no Brasil, tanto entre o século XVI e XVII, quanto no Séc. XIX. Por isso, apresentaremos seus festejos, os principais rituais religiosos e elementos mitológicos que atribuem sentido à crença e às práticas dos judeus visando compreender tanto as ramificações do judaísmo quanto as apropriações que novos movimentos religiosos fazem de elementos judaicos", complementa.



Mini-curso: "Judaísmo: Mitos, Rituais e Símbolos sob uma Perspectiva Sócio-Antropológica "
Carga-horária: 8h.
Local: Auditório Prof. Paulo Décio, Prédio do ICS, Campus A. C. Simões, UFAL.
Datas: 9 e 16 de outubro de 2017 (segundas-feiras)
Horário: das 14h às 18h.
Inscrições: No local ou acessando: https://goo.gl/HocaG5
Gratuito com Certificado de Participação na frequência dos dois encontros.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Deus no Gibi entrevista Amaro Braga

DEUS NO GIBI - ENTREVISTA

Por Fernando Passarelli
Versão original: acesse: http://www.deusnogibi.com.br/entrevistas/amaro-braga/ 
Se o Amaro Xavier Braga fosse um super-herói, ele seria daqueles que podem acessar vários poderes, tamanha a diversidade de sua formação acadêmica. É doutor em Sociologia, especialista em Ensino de História das Artes e das Religiões, em Artes Visuais e Gestão de Educação à Distância, e tem um grande envolvimento com a aplicação dos quadrinhos na educação. Não é por menos que hoje ocupa a presidência da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, a ASPAS. E, pra não sair da analogia, as ASPAS é como uma “Liga das Justiça”, porque reúne uma série de outros ‘heróis’ que estudam os quadrinhos em profundidade. “Promovemos uma mudança no cenário da pesquisa acadêmica, a partir do momento que os resultados destas pesquisas são divulgados e se transformam em produtos com maior circulação em outras esferas sociais”, explica Amaro, que também é co-autor do livro “Religiosidade nas Histórias em Quadrinhos”. Nessa entrevista, ele fala sobre o trabalho da ASPAS, o uso das HQs em sala de aula e relação entre fé e produção artística.
DEUS NO GIBI – Estamos em 2017 e ainda discutimos o uso das histórias em quadrinhos como ferramenta educacional. Por que isso ainda acontece?
AMARO BRAGA – Acredito que este panorama seja fortemente influenciado pelo histórico – e estereotípico – preconceito em relação aos quadrinhos. A ênfase como objeto infanto-juvenil e entretenimento fugaz ainda prevalecem e dificultam perceber as HQs como objetos artístico-midiáticos de entretenimento com forte impacto social e representação cultural. Se as HQs são uma mídia, e o são, deve-se esperar que, como tal, tenham a possibilidade de guardar e transmitir informação, já que é isso que uma mídia faz. Sendo assim, ainda se faz necessário desenvolver estudos diversos sobre as potencialidades das HQs e seus impactos concretos na sociedade, visando uma compreensão mais ampla do que a atual. É por isso que devemos continuar a estimular o uso das HQs, não apenas no ensino básico – que já cresce com muitas iniciativas, mas também no ensino superior, o que pode auxiliar a mudança de seus status, tradicionalmente, desvalorizante.
DEUS NO GIBI – De que forma a ASPAS, Associação dos Pesquisadores de Arte Sequencial, pode ajudar a mudar esse quadro?
AMARO BRAGA – A ASPAS surgiu com o intuito de reunir pesquisadores e pesquisadoras que vêm se dedicando a estudar as diversas interfaces das histórias em quadrinhos e ambientes congêneres. Ao reuni-los, fortifica e promove o desenvolvimento de novas gerações de pesquisadores, que se sentem estimulados por um cenário profissional mais acolhedor e valorizador de pesquisas. Fazendo isso, promovemos uma mudança no cenário da pesquisa acadêmica, que termina por afetar a própria maneira como as histórias em quadrinhos são vistas pela sociedade, a partir do momento que os resultados destas pesquisas são divulgados e se transformam em produtos com maior circulação e penetração em outras esferas sociais.
DEUS NO GIBI – Como tem sido a reação dos professores e educadores ao trabalho da ASPAS?
AMARO BRAGA – Tem sido bem positivo. Temos feito eventos cujas as atividades envolvem a capacitação de professores, principalmente na cidade de Leopoldina (MG), onde fica no sede, visando estimular o uso das HQs na sala de aula e a compreensão sobre a rica gama de possibilidades que se relacionam com as histórias em quadrinhos, tanto no que tange à pesquisa, quanto à produção e consumo. Também temos investido na produção e circulação de livros – fruto destas pesquisas – que estão associados a esta inserção das HQs na sala de aula.
DEUS NO GIBI – Como é possível defender, junto a esses mesmos professores, a aplicação dos quadrinhos em sala de aula quando muitos estão querendo, sim, é usar as lousas digitais, tablets e outro recursos multimídia?
AMARO BRAGA – Partido do princípio que estas ferramentas não são excludentes. É possível sim, usar os quadrinhos, ou sua linguagem, mediadas pelas lousas digitais, tablets e recursos multimídia. Inclusive, é aconselhável! As publicações de quadrinhos nos dias atuais já usam dos ambientes do ciberespaço para se divulgarem e serem lidas. Nada mais justo que os professores se apropriem destes materiais com intuito de desenvolver a aprendizagem e reduzir os custos com a atividade pedagógica. Ao invés da escola ter 30 ou 40 edições de uma mesma revista ou história, basta ter acesso ao volume digital e compartilhá-lo nos tablets. No livro sobre religião eu falo como pastores e missionários estão usando softwares gratuitos de produção de web-tiras e web-comics para produzir tirinhas e quadrinhos com temáticas religiosas visando atingir o público infantil ou simplesmente propagar sua fé. Estes softwares facilitam a produção por deixarem prontos, num banco de imagens, diversos personagens, objetos e cenários, que podem ser acessados, ajustados e modificados para criar uma HQ ou tirinha, mesmo que o programador não saiba desenhar. É um verdadeiro processo de revolução na maneira de produzir quadrinhos.
DEUS NO GIBI – Ou seja: papel, ilustrações e balões de fala ainda conseguem ajudar na educação dessa geração?
AMARO BRAGA – Sim, em certa medida. Ou podem atuar na transição inter-midiática: levar este material para sua versão digital, se for o caso.
DEUS NO GIBI – Que recursos a ASPAS disponibiliza para os educadores?
AMARO BRAGA – Além dos cursos de capacitação, um banco de publicações sobre o tema e uma revista científica que recebe artigos sobre o tema.
DEUS NO GIBI – Quais são as publicações da ASPAS, até o momento, sobre pesquisa e uso de quadrinhos em sala de aula?
AMARO BRAGA – São: “Arte Sequencial em Perspectiva Multidisciplinar”, organizado por Iuri Andréas Reblin e Márcio dos Santos Rodrigues, que reúne diversos trabalhos sobre múltiplos aspectos, entre eles, a questão da sala de aula; “Religiosidade nas Histórias em Quadrinhos”, organizado por mim e Iuri Andréas Reblin, que apesar do tema específico apresenta como a linguagem das HQs vem sendo usada como instrumento pedagógico entre grupos religiosos; “O Planeta Diário: Rodas de Conversa sobre Quadrinhos, Super-heróis e Teologia”, do Iuri Andréas Reblin, enfatizando como as HQs podem ser objetos mediadores de uma compreensão teológica no ensino religioso; “As Histórias em Quadrinhos e a História: Práticas que ultrapassam fronteiras”, de Natania Nogueira, retratando sua trajetória no uso das HQs na sala de Aula. A ASPAS também foi uma grande colaboradora da coleção“Quadrinhos e Educação”, organizado pelo Thiago Modenesi e por mim, com a colaboração de quase todos os sócios. As publicações saem desde 2015, pela Faculdades dos Guararapes (PE), e estão no quarto volume: “Relatos de Experiências e Análises de Publicações” (Vol.1), “Procedimentos Didáticos” (Vol.2), “Fanzines, Espaços e Usos Pedagógicos” (Vol.3) e “Experiências Docentes, Inferências Pedagógicas e Análises de Políticas Públicas” (Vol.4). A ASPAS também foi co-editora de “Questões de Sexualidade nas Histórias em Quadrinhos”, organizado por mim, em parceria com a editora universitária EDUFAL, e de “Representação do Feminino nas Histórias em Quadrinhos”, organizado também por mim e a Valéria Fernandes da Silva. Nestes dois últimos a questão da educação sexual e de gênero se interliga com os quadrinhos. Nestes dois livros há diversos artigos sobre o uso das publicações para à educação para a diversidade, por exemplo.
DEUS NO GIBI – O que mais vem pela frente?
AMARO BRAGA – Nos próximos meses será lançado um livro meu que foi produzido numa ampla pesquisa, entre 2013 e 2015, mapeando todas as publicações de quadrinhos relacionadas as religiões no Brasil, que se chama “Religiosidade nas Histórias em Quadrinhos Brasileiras”. É um levantamento inédito que mapeia tudo que foi feito no nosso território, publicado em revista, tira, cartuns e digitais. E um dos focos importante é identificação de como as HQs foram sendo utilizadas para o ensino religioso por budistas, kardecistas, umbandistas, muçulmanos, judeus e cristãos católicos e protestantes.
DEUS NO GIBI – Qual a influência da ‘fé’ de um autor na criação e desenvolvimento dos seus personagens e narrativas em quadrinhos? O ‘criador’ (de HQ) sempre irá fazer sua ‘criatura’ (personagem/roteiro) à sua imagem e semelhança?
AMARO BRAGA – Há dois aspectos que devem ser considerados. Em primeiro lugar, todo e qualquer produtor de quadrinhos, seja ele roteirista ou desenhista, insere, conscientemente ou não, valores pessoais durante o processo de produção material. Venho discutindo estes elementos nas minhas pesquisas. Como as HQs são produtos culturais, contém dentro de si valores da cultura em que são produzidas. Valores ambientados na cultura, no espaço e no tempo em que são produzidas. Não há como evitar isso. Em segundo lugar, se examinarmos os quadrinhos religiosos, a função deles é justamente imprimir valores religiosos específicos que são idealizados pelos seus produtores. Há desenhistas que abdicaram do mercado aberto de HQs apenas para se dedicar à produção de quadrinhos cristãos que não iriam de contra as suas ideologias religiosas, ou missionários que tem se dedicado a produzir quadrinhos de super-heróis brasileiros com a temática cristã. Podem até se recusar a fazer ou ler quadrinhos que discutam outros temas devido às questões teológicas. Isso mostra que, pra eles, sim, seus quadrinhos representam sua imagem e se assemelham a um “trabalho de Deus” e, portanto, precisam se adequar àqueles parâmetros religiosos. Mas é preciso ter cuidado, pois nem ‘sempre’ isso acontecerá. Um desenhista ou roteirista, devido aos contratos profissionais, pode, eventualmente, fazer algo fora do seu escopo. Mas a tendência é que seus produtos estejam impregnados em algum nível com seus ideais estéticos, sociais, culturais, políticos e religiosos.
DEUS NO GIBI – Numa nação predominantemente católica, que passa pelo crescimento da fé evangélica neo-pentecostal, existem muitas publicações envolvendo religião?
AMARO BRAGA – É muita publicação sendo produzida de maneira ininterrupta ao longo das décadas e em todos os níveis: de tirinhas, passando por álbuns seriados de quadrinhos e outras experiências estéticas como webcomics e webtiras. Os quadrinhos cristãos superam com folga as demais esferas religiosas e o crescimento protestante e neo-pentecostal pode também ser observado nestas publicações. Praticamente todas as denominações neo-pentecostais tem publicação de quadrinhos infantil visando evangelização. A grande questão é que estas publicações não circulam em bancas de revistas, mas em ambientes próprios e por assinatura, em circulação restrita. Eu tenho feito um levantamento que visa identificar as produções explícitas que se relacionem na interface quadrinhos e religião. Já o professor Iuri Reblin tem desenvolvido pesquisas que analisam o discurso teológico em publicações de quadrinhos que não necessariamente possuem uma relação explícita com a religião. São quadrinhos comerciais, por exemplo, e, mesmo assim, possuem um discurso religioso. Mas, quando falamos em gênero de quadrinhos religiosos, eles são muitos e constantes.
DEUS NO GIBI – Por último, nos gibis, em geral, quem é Deus e qual papel ele desempenha?
AMARO BRAGA – Asim como acontece na diversidade religiosa, “Deus” nos quadrinhos assume diversas formas de acordo com os valores de quem produz a HQ. Não há uma visão absoluta e unificadora da deidade. Uma coisa é certa: ele nunca é esquecido.


Para acompanhar o trabalho da ASPAS, acesse:

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Oficina no II ENALES: A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS ENQUANTO RECURSO DIDÁTICO NAS AULAS DE SOCIOLOGIA


Hoje, a partir das 13h30, ministro uma oficina no II ENCONTRO ALAGOANO DE ENSINO DE SOCIOLOGIA/CIÊNCIAS SOCIAIS – II ENALES: Ensino de Sociologia em Tempos de Reforma do Ensino Médio que ocorre de 25 e 26 de Abril de 2017.
 O II ENALES é um evento anual, promovido pelo Xingó, voltado às discussões em torno do ensino de Ciências Sociais/Sociologia. Caracteriza-se, também, como um espaço fomentador de maior aproximação entre a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e professores de Sociologia do Ensino Médio. 
sobre a oficina:
A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS ENQUANTO RECURSO DIDÁTICO NAS AULAS DE SOCIOLOGIA
Propositor: Amaro Braga Junior – ICS/UFAL
Nenhum recurso didático é mais eficiente do que aquele que o aluno já tem contato e o consome como lazer e diversão. Quadrinhos, as charges, caricaturas e tiras-em-quadrinhos são exemplos de como a linguagem dos quadrinhos é consumida pela população. a oficina busca debater e apresentar, tanto numa perspectiva teórica, quanto prática, como estes materiais podem ser usados como recursos didáticos, isto é, instrumentos de apoio no trabalho docente em sala de aula, especificamente relacionado aos conteúdos das ciências sociais no ensino básico. 
Tendo em vista que a leitura do material também permite ao aluno a compreensão que o entendimento dos fenômenos sociais pode ser detectado em qualquer realidade, exercitando seu olhar crítico para a realidade vivente, ao passo que aprende a identificar situações semelhantes nas publicações ficcionais dos quadrinhos.

LOCAL: BSA2, sala 6, UFAL. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Riso como arma de contestação ou naturalização de discursos

O Riso como arma de contestação ou naturalização de discursos


Em tempos de termos como “politicamente correto”, “mimimi”, “problematização” e muitos discursos superficiais em comentários acalorados nas redes sociais, entender um pouco sobre alguns conceitos relacionados ao humor talvez se faça necessário.
O polêmico filósofo Zizeck afirma em um de seus vídeos que o politicamente correto é uma forma de totalitarismo. Frank Cho alegou sofrer censura na DC por ter seus desenhos editados. Várias pessoas, diante da crítica ou contestação de sua expressão, alegam estar sendo censuradas. Não, quanto à última afirmação, não se trata de um dado empírico, mas poderia ser verificável por qualquer pesquisador que se interesse pelo assunto.
A questão é, além do desconhecimento sobre o que realmente significa censura, parece haver uma certa desonestidade intelectual para entender que escolhas editoriais nada têm a ver com censura. Nem mesmo o que as pessoas entendem como autocensura, no caso de alguns artistas, chegaria perto disso, porque não existem ferramentas legais ou qualquer argumentação plausível que indique que essas pessoas serão presas, exterminadas, punidas, torturadas por publicarem ou expressarem o que quer que seja.
O que existe é consequência, que nos faz diretamente responsáveis pelo que divulgamos. Caso ofenda alguém, existem medidas legais para lidar com o problema, mas não há, no meio editorial brasileiro ou em grande parte dos países ocidentais, censores que proíbam que algo seja publicado previamente. O que existe são escolhas editoriais baseadas em performances de lucro, existe um sistema capitalista que prevê que certas produções agradam ou não alguns grupos e baseados nisso, os editores decidem o que será publicado.
Arte de Motoca
Maíra Colares
Obviamente, alguns meios possuem inclinações políticas, religiosas, raciais, sociais, que podem determinar a linha editorial de uma publicação. Ainda assim, vale lembrar que, quando se trata de liberdade de expressão, os conceitos mais amplamente difundidos no ocidente, tratam de garantir e proteger a liberdade de expressão individual como um direito inalienável de ter acesso à informação. Ou seja, publicações em meios que visam lucro, não podem requerer para si a mesma amplitude dos direitos individuais.
De qualquer forma, apesar da interpretação de certas manifestações serem muito pessoais e subjetivas, vale lembrar que o humor não é apenas uma forma de provocar escárnio e ridicularizar comportamentos. O professor e cartunista premiado Osvaldo da Costa, em seu livro Uma Ovelha Negra na Produção Midiática, lembra que o humor também pode ser uma arma de contestação política:
“A linguagem do humor – arma política contra regimes repressivos – é também considerada subversiva e de contracultura – pode ser narrada por meio do teatro, da música, da literatura, da imprensa, do cinema e do desenho de humor. Tem como finalidade provocar o riso ou o sorriso. O risível nas piadas e paródias, como imitação burlesca, era um dos recursos mais populares entres os bufões na Antiguidade. Rir de si mesmo e do seu semelhante, seja em tom jocoso ou de escárnio, é um traço marcante da natureza humana desde os tempos mais remotos.”
Salsicha em Conserva
https://www.facebook.com/salsichaemconservahq/
O escritor e semiólogo Umberto Eco, conhecendo o poder inquietador do riso, dedicou uma das de suas maiores obras a ele. Em O nome da Rosa, thriller ambientando na França medieval, a luta dos monges beneditinos do mosteiro de Melk para proteger um manuscrito nunca publicado de Aristóteles acaba causando inúmeras mortes e deixando um rastro de sangue. De acordo com as convicções dos monges mais conservadores do romance, o riso seria algo muito próximo da morte e da corrupção do corpo, mas o filósofo grego, em seu livro que só existiu na ficção, alertava para o poder libertador do riso como um veículo da verdade.
“O riso desvia, por alguns instantes, o vilão do medo. Mas a lei impõe-se através do medo, cujo nome verdadeiro é temor de Deus. E deste livro poderia partir a centelha luciferina que transmitiria ao mundo inteiro um novo incêndio: e o riso designar-se-ia como a arte nova, ignorada até de Prometeu, para anular o medo. Ao vilão que ri naquele momento, não importa morrer: mas depois, cessada a sua licença, a liturgia impõe-lhe de novo, segundo o desígnio divino, o medo da morte. E deste livro poderia nascer a nova e destruidora aspiração a destruir a morte através da libertação do medo. E que seríamos nós, criaturas pecadoras, sem o medo, talvez o mais provido e afetuoso dos dons divinos?”(ECO,1980: 359)
Sendo então o riso capaz de nos guiar no caminho de descobertas sobre verdades que talvez nossos governantes prefiram que não tomemos conhecimento, não é de se espantar que tantos cartunistas tenham sido ameaçados, torturados ou mortos durante regimes ditatoriais ocorridos na América Latina, como foi o caso do autor de El Eternauta. Héctor Germán Oesterheld foi sequestrado, assim como quatro de suas filhas, duas delas grávidas, durante o regime militar da Argentina. Apesar de El Eternauta ser uma história de ficção, o conteúdo de sua segunda parte apresenta teor político, o que teria causado o desaparecimento de um dos autores mais consagrados de histórias em quadrinhos da América Latina.
https://www.facebook.com/pg/sirlanneynogueira/photos/
Todo mundo erra – por Sirlanney e Clara Averbuck Magra de ruim
Muito embora estejamos acostumados a associar o riso ao escárnio e à representação de estereótipos que acabam perpetuando certas opressões, entendemos que sua função crítica foi e ainda é extremamente necessária quando se trata de contestar sistemas políticos ou situações com as quais não concordamos. Porém, o que talvez não estejamos acostumados a perceber, é que o riso também pode ser uma forma de naturalizar comportamentos que são recriminados socialmente.
O professor, pesquisador e um dos diretores da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS, Amaro Braga, tem se dedicado à pesquisa de tiras cômicas e histórias em quadrinhos que, ao abordarem temas como religião, sexualidade e gênero, façam isso como uma forma de naturalizar comportamentos e práticas, ao invés de perpetuarem um discurso de ódio e preconceito contra grupos minorizados.
Em sua apresentação no XVII Congresso Internacional de Humor Luso-Hispânico, na UNESP/Araraquara, Amaro usou exemplos de tiras e HQ que, além de abordar temas que os professores sentem dificuldade de trabalhar em sala de aula, fazem isso de forma cômica e natural, o que propiciaria aos educadores acessar seus alunos de formas mais tranquila e leve, principalmente se tivermos em mente que os alunos provavelmente já têm acesso a estes trabalhos via internet e redes sociais.
https://www.facebook.com/transistorizada/
Portanto, ainda que estejamos mais acostumados a entender o humor como uma forma de humilhar certos grupos, carecemos mesmo é de boa interpretação e melhor desenvolvimento de nossas capacidades cognitivas. Carecemos também de uma educação que nos ensine que nenhuma produção cultural é desprendida de seu contexto e que conhecer previamente o posicionamento de quem produz é fundamental para interpretar certas obras.
Por isso, vou comentar rapidamente dois exemplos apenas para ilustrar o que já mencionei acima.
Quem acompanha a página Motoca, já sabe que o posicionamento da artista está alinhado com um pensamento que privilegie a visibilidade de grupos minorizados, no sentido de promover reflexões que possam favorecer maior empatia por parte de quem costuma oprimir os outros. Quando da polêmica  – que sequer deveria ter virado notícia – do turbante, a página postou essa ilustração/charge que foi interpretada de maneiras diferentes por pessoas de convicções contrárias. Minha leitura – confirmada pela própria artista – foi que as pessoas que apoiaram a hashtag #vaiterbrancadeturbantesim – ou algo do gênero – não atentaram para o fato de que o problema vai muito além de poder ou não usar um pano na cabeça, já que os maiores representantes de culturas que fariam uso de turbante no Brasil, são assassinados, apedrejados… Uma forma de dizer que a cultura negra é popular, mas os negros não.
Turbante
https://www.facebook.com/colaresmaira/
No entanto, uma quantidade grande de pessoas interpretou como uma forma da artista dizer que ninguém deveria se importar com um turbante, porque existiam problemas maiores, como se ela estivesse endossando a fala do “estão fazendo mimimi, a pessoa usa o que quiser”, quando na verdade, essa nem é a questão do problema.
Uma mesma ilustração gerou leituras com interpretações diferentes, tal qual aconteceu com esse post do Sensacionalista, sabidamente satírico, mas ainda assim, também com posicionamento mais alinhado com os movimentos sociais, e que foi problematizado por algumas mulheres como sendo uma piada com um assunto sério, quando se trata na verdade de uma forte crítica a um comportamento naturalizado. Nesse sentido, o que se buscou aqui foi chamar a atenção para algo que é naturalizado e não deveria ser.

Longe de encerrar a discussão, porque é um tema polêmico, o objetivo aqui é justamente lembrar que discussões e análises superficiais não contribuem para que problemas sérios sejam sanados. O humor também é coisa muito séria e sua produção é necessária para que certos assuntos continuem sendo abordados de forma crítica, ainda que por meio do riso.
https://www.facebook.com/mundomeioroxo/
Todo mundo meio roxo
DA COSTA, Oswaldo. UMA OVELHA NEGRA NA CULTURA MIDIÁTICA: Inovações do Humor Gráfico na imprensa alternativa brasileira. São Caetano do Sul. Universidade Municipal de São Caetano do Sul. 2012. Disponível em: http://repositorio.uscs.edu.br/handle/123456789/256
ECO, Umberto. O nome da Rosa. São Paulo. Record. 2009
Dani Marino
Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Minas Nerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Imagens: Mesa redonda: Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.


Vídeo com os primeiros minutos, clique aqui.

Mesa redonda: Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.
Com Alex Gomes (Cin-UFPE) e Amaro Braga (ICS-UFAL).
Coordenação: Túlio Velho Barreto (FUNDAJ)