quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Entrevista para o Jblog

Copiado do Blog "Quadrinhos" do Jornal do Brasil de Pedro Luna


Em comemoração ao Dia do Quadrinho Nacional, acontece na próxima segunda-feira às 19h a palestra “O que é Quadrinho Nacional?” ministrada pelo sociólogo e professor da Universidade Federal de Alagoas, Amaro Braga. Na ocasião ele lançará o livro “Desvendando o Mangá Nacional”, fruto de uma pesquisa sobre os quadrinhos feitos no Brasil que se utilizam do desenho japonês.

Confira a entrevista:

JBlog >> Sobre o que é exatamente o livro?

Amaro Braga - O livro problematiza a própria noção do que seria um "mangá nacional", isto é, um mangá brasileiro. Se mangá é um quadrinho japonês (e não simplesmente o termo quadrinho em japonês) o que faria deste hq um produto cultural brasileiro? O que tem de nacional nele? É o desenho? A história? Personagens? Seus produtores?

Começo questiono o papel dos quadrinhos na percepção dos valores culturais e identitários, sigo pela discussão sobre a identidade nacional, faço o levantamento dos mangás nacionais até 2010 e depois concentro a análise na Holy Avenger, o mangá nacional mais famoso, até então.

Termino questionando se o surgimento dos mangás nacionais seriam apenas um fenômeno de reprodução (comercial) ou algo mais complexo vinculado às dinâmicas híbridas da sociedade.



JBlog >> Existe alguma relação acadêmica entre o livro e o trabalho desenvolvido na UFAL?
Amaro - De certa forma. Na UFAL desenvolvo pesquisas sobre a estética dos quadrinhos e suas representações sociais. Leciono um disciplina chamada "análise critica de hq´s" e coordeno um projeto de extensão voltado para a produção de quadrinhos cujos conteúdos tenham um interesse sócio-antropológico.

Vejam mais informações aqui (um dos projetos mais recentes)

JBlog >> Quais as conclusões que você tira ao final do livro?
Amaro - Que o surgimento dos mangás nacionais segue um esquema um pouco mais complexo de que mera reprodução de uma estética dominante, comercial e ideologicamente orquestradas. Os mangás nacionais, estão seguindo o mesmo procedimentos dos "comics nacionais" (apesar de não terem sidos chamados assim) mas os quadrinhos de super-heróis brazucas.

Existe uma fase de mimetismo (cópia), seguida por uma fase híbrida e finda numa fase "nacional" (pelo qual o produto não é mais reconhecido como estrangeiro ou com influência externa, mas originalmente nacional). A estética destes materiais estão relacionadas a uma hibridização cultural típica da pós-modernidade e da própria dinâmica cultural brasileira (conforme a estética do movimento antropofágico).

JBlog >> A obra é independente?
Amaro - O trabalho foi selecionado pela editora universitária da UFAL para compor o quadro de publicações de 2012.

JBlog >> Onde os interessados encontram o livro a venda?
Amaro - Estará disponível inicialmente no site da Edufal e no da Livraria Cultura. Depois é possível encontrá-lo em todas as livrarias universitárias devido a um programa de intercâmbio de títulos entre as universidades.
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