domingo, 16 de agosto de 2015

1° Encontro Regional sobre História em Quadrinhos em João Pessoa (PB).

Panorama da Abertura e do Primeiro Dia
Por Amaro Braga



O evento ganhou o subtítulo “Quadrinhos Intuados” (gíria local para pessoa enraivecida, insistente que não se deixa convencer) que já deixa transparecer um pouco de seu objetivo e viés, visando reunir diversos produtores de quadrinhos independentes de vários estados que lutam com garra e insistem em produzir sua arte.

O mercado de quadrinhos brasileiro é formado destas inciativas. São eles que incentivam a arte e animam os eventos de maneira constante. Não são fogo de palha, nem o hipe do momento. São artistas que vivem buscando o público por suas produções e contribuem para o mercado local e divulgam a linguagem dos quadrinhos.




A abertura do evento foi a (re)inauguração da Gibiteca Henfil que contou até com cover do Flama, personagem título da primeira HQ paraibana "As Aventuras do Flama", desenhada por Deodato, inclusive, relançou esta HQ em fac-símile da revista tendo a presença do filho e também desenhista de HQ, Mike Deodato (ou Deodato Jr, como é conhecido na região), além do lançamento de uma edição especial de tirinhas da personagem Maria, do pesquisador e desenhista paraibano Henrique Magalhães, intitulada “Maria: Quarentona, mas com tudo em cima”.


A Gibiteca Henfil foi uma iniciativa do próprio Henrique, décadas antes, também no Espaço Cultural e depois transferida para a UFPB e que, depois de um hiato de dez anos fechada, voltou a abrir as portas e receber o público com o apoio da FUNESC (Fundação Espaço Cultural da Paraíba), por vias da coordenadora de quadrinhos, Thais Gualberto.



Hoje a Gibiteca Henfil funciona no Espaço Cultural José Lins do Rego que é um centro de convenções localizado no bairro de Tambauzinho em João Pessoa.




A manhã começou com a oficina de quadrinhos autorais com Sirlanney (da HQ “Magra de Ruim” efetivada no Catarse este ano ).


O primeiro dia apresentou duas mesas redondas voltadas para a Publicação Independente.

A Primeira mesa das 14h às 16h versou sobre: Editoras independentes da região com Luiza de Souza (Ed. Tribo do RN), Rodrigo Acioli (Ed. Livrinho de Papel Finíssimo de PE) e Henrique Magalhães (Ed. Marca de Fantasia da PB), contando com a mediação eloquente do jornalista Audaci Junior.

Última mesa do dia entre as 17h e 19h foi com a temática: Coletivos e revistas coletivas do nordeste, com Christiano Mascaro da revista Ragu de PE, Igor Tadeu do coletivo WC com a revista Sanitário e Lila Cruz do coletivo feminista Farpa, com a mediação de Allana Dilene.


O dia do evento finalizou às 19h com as sessões de autógrafos de John Monteiro  com sua HQ Cantilena e Val Fonseca com a HQ Árvores, trabalhos selecionados em um edital da FUNESC de publicação de quadrinhos.

Ainda ouço pessoas reclamarem do mercado de quadrinhos brasileiro. É verdade que nosso mercado não é o melhor e precisa de muito para se igualar aos consolidados mercados europeu, japonês e estadunidense, mas as coisas melhoraram muito em relação às ultimas décadas.

 Quadrinhos Paraibanos

Quadrinhos do Piauí e Publicações do Livro de Pepel Finíssimo de PE.

Hoje, nestes tipos de evento, é possível encontrar muita produção de quadrinhos. Não são quadrinhos comerciais no estilo das bancas, pois não são quadrinhos mainstream, mas representam o mercado brasileiro e a produção local. São publicações espelhadas no fanzine com uma qualidade gráfica razoável e com tiragens limitadas. Mas há uma produção constante, mesmo que pontuada em alguns locais.

O evento de João Pessoa é pequeno e mesmo assim foi possível encontrar um numero significativo de propostas locais e das regiões circunvizinhas (vejam as fotos de algumas nesta postagem).

Sirlanney (HQ efetivada no Catarse este ano “Magra de Ruim”).

Álbum de Tirinhas do pessoal do RN
Álbuns em quadrinhos (com participação de Milena Azevedo do Garagem Hermética) - RN


A (re)inauguração da Gibiteca Henfil é promissora e demonstra um interesse em incentivar a leitura dos quadrinhos e a preservação da produção local. Espaços públicos como estes não só incentivam a leitura e conhecimento dos quadrinhos, como desenvolvem ações de preservação da produção local, tornando-se importantes centros de referência, reunião e alocação de novos produtores, o que garante a continuidade da produção e o incentivo de novas gerações de artistas e entusiastas da área.

Também é um meio de o público conhecer a produção local que, muitas vezes não circula nas bancas e nem nas livrarias, mas em eventos undergrounds e periféricos que, pela própria natureza, não são massivos, mas importantes para a cultura do local. A Gibiteca termina se enquadrando como espaço de (com) vivências que promovem a linguagem e exercem função mnemônica.
Estas foram as minhas HQs que também participaram do evento :D


As temáticas de discussão escolhidas pelos organizadores foram bem contemporâneas e importantes, e seus convidados representam bem uma parcela do mercado, diretamente relacionada às atividades-tema. E, um dos aspectos que me agradou bastante foi encontrar mediadores que desempenham muito bem seus papeis. Não são apenas figuras decorativas, mas agentes de diálogo que conduziram muito satisfatoriamente os debates, instigando questões e gerenciando os discursos – coisa rara de se ver nestes eventos.

O que deixou a desejar foi a frequência baixa de público. Pelo menos na minha expectativa – eu esperava mais gente circulando num evento central e numa região como esta que já está costumada a uma cena artística constante de eventos sobe quadrinhos. E a maior decepção de todas: encontrar a Comic House (a gibiteria da cidade) fechada ou sem um stand no evento! [kkkkk]

Sem falar na quantidade enorme de Fanzines (Não tirei fotos de todos!)


E não há nada melhor para um entusiasta das HQs como eu em poder vivenciar como o mercado está mudando, facilitando a produção de diversas pessoas com diferentes visões, técnicas, conhecimentos e propostas. Todos ganham com isso. Os leitores, os quadrinhos e a sociedade.

Que venham mais.


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