[Artigo] Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico (2025)

 




Mapeando a Nação Brasileira dos Profissionais dos Quadrinhos: O Primeiro Censo e Seu Impacto Social

Quantas pessoas, no Brasil hoje, vivem de contar histórias com lápis, nanquim e pixels? Quem são, onde estão e como trabalham os profissionais que dão vida às nossas HQs, charges, tiras e romances gráficos? 

Durante décadas, essas perguntas fundamentais para a compreensão da nossa produção cultural não tinham respostas concretas. Era como se uma parte vital do imaginário brasileiro operasse na invisibilidade estatística. É justamente essa lacuna que o Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico - 2025 [ISBN: 978-65-98996406] começa a preencher.

Realizado pela Quadrinhopédia em parceria com o Comitê Nacional de Quadrinhos e o coletivo Quadrinistas Uni-Vos e com colaboração de diversos pesquisadores e pesquisadoras da ASPAS, este levantamento pioneiro foi muito além de uma simples contagem. Ele é um ato de reconhecimento e visibilização de uma categoria profissional complexa, multifacetada e muitas vezes marginalizada nas políticas culturais.

A importância social desta iniciativa reside, em primeiro lugar, na sua capacidade de transformar indivíduos dispersos em um coletivo mensurável. 

A pessoa artista de quadrinhos, especialmente fora dos grandes centros ou dos circuitos midiáticos tradicionais, frequentemente trabalha de forma solitária, sem vínculos formais ou representação clara. Essas pessoas, profissionais das Histórias em Quadrinhos podem estar em diversos locais: do cartunista de jornal centenário até a artista independente que publica apenas nas redes sociais; do roteirista de grandes editoras ao professor que usa quadrinhos em sala de aula.

Ao mapear esse universo  brasileiro, o estudo fornece um retrato demográfico e econômico crucial. A partir dele, podemos ter um pouco mais de acesos e vislumbre de diversos aspectos importantes:

  • Perfis de Renda e Precarização: Quantos conseguem se sustentar exclusivamente com a profissão? Qual a parcela que depende de outros empregos ("bicos")?

  • Diversidade (ou a falta dela): Qual a representatividade de mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+ e artistas de todas as regiões do país no mercado? Onde estão as barreiras de acesso?

Um levantamento como este é um instrumento político de primeira ordem. Dados confiáveis são a base para reivindicações embasadas por associações de classe – como a Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), a Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), a AQC-ESP, a AQUARIOS e as redes regionais que apoiaram o projeto. Com números em mãos, é possível dialogar com o Estado para pleitear editais mais justos, leis de incentivo específicas, proteção social e inclusão em programas de fomento à economia criativa.

Para o mercado editorial e cultural, o Censo oferece um panorama das tendências, necessidades e potencialidades. Investidores, curadores e organizadores de eventos passam a ter um mapa mais nítido do setor, facilitando conexões e fomentando negócios.

Na esfera acadêmica das ciências sociais, o impacto pode ser ainda mais relevante. O e-book "Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico - 2025: Resultados e Discussões" (organizado por Lucio Luiz e Guilherme Smee Miorando) divulga os dados que foram estruturados na forma de survey pela equipe que além dos dois organizadores, contou com Paloma Diniz, Daniel Esteves, Diogo Mendes, Bruno Alves, Gelson Weschenfelder e Lukas Silveira).


Não é um relatório técnico, mas um ponto de partida para infinitas investigações. Ele oferece matéria-prima para estudos sobre trabalho criativo no capitalismo contemporâneo, deslocamentos regionais, processos de profissionalização e a construção de identidades coletivas no campo cultural.

O primeiro Censo é, portanto, muito mais que um projeto. É um ato fundador. Ao dar nome, local e características a uma comunidade profissional antes esfacelada nos registros oficiais, ele cumpre um papel social primordial: o de validar e dignificar. A partir deste diagnóstico inicial, abre-se caminho para debates mais qualificados, ações coletivas mais efetivas e políticas públicas mais direcionadas.

O mapeamento é o primeiro passo para que a "nação dos quadrinhos" brasileira, com toda sua riqueza e diversidade, possa não apenas ser melhor compreendida, mas também melhor valorizada, social, cultural e economicamente. 

No material, você encontrará além dos dados brutos em forma de estatística e gráficos, alguns textos norteadores. Entre eles, está o posfácio que eu escrevi, intitulado: "(Re)configurações do Mercado de HQS no Brasil".



Veja na íntegra, aqui:https://quadrinhopedia.com.br/wp-content/uploads/censo2025.pdf 

Para fazer a Referência:

LUIZ, Lucio; SMEE, Guilherme (Orgs.). Censo Nacional de Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico: Resultados e Discussões. Curitiba/São Paulo/Salvador: Quadrinhopedia / Quadrinistas Uni-Vos / Comitê Nacional de Quadrinhos, 2025. Disponivel em: https://quadrinhopedia.com.br/wp-content/uploads/censo2025.pdf . Data de acesso: [...].[ISBN: 978-65-98996406]


Créditos e Realização:

  • Organização e realização: Quadrinhopédia, Comitê Nacional de Quadrinhos, Quadrinistas Uni-Vos.

  • Equipe responsável: Lucio Luiz, Paloma Diniz, Daniel Esteves, Diogo Mendes (criação do logo), Guilherme Smee, Bruno Alves, Gelson Weschenfelder e Lukas Silveira.

  • Apoio institucional: Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP), Associação de Quadrinistas do Rio Grande do Sul (AQUARIOS), Rede Nordestina de HQs e Norte em Quadrinhos.

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