quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Impressões: Compras Coletivas e 10%



Minha família e eu somos grandes consumidores de bares e restaurantes. É sagrada a ida semanal a alguns restaurantes e bares da cidade. Somos daqueles que sentam na mesma mesa e pedem os mesmos pratos, com o mesmo garçom. Tradição oriunda da família da minha esposa, confesso. Na época de namoro, ao acompanhá-la nestas idas dominicais, ficava intrigado com a constância e a tradição, depois de alguns anos, comecei a me rebelar... corria na frente e sentava em outra mesa – o que se mostrava infrutífero, é óbvio, ou argumentava sobre as competências gustativas de outros pratos – o que também não dava em nada. Chegou um tempo, já como chefe da família, que subverti a tradição, traindo aqueles restaurantes familiares e levando a família a se aventurar com novos pratos. E aprendi a lição.... Deparei-me com meu erro e me arrependi de corroer prática tão deliciosa. Voltei atrás e inseri meus filhos na mesma tradição onde fui introduzido, esperando que a inexperiência juvenil, que me arrebatou, não corrompa também meus filhos. Mas só o tempo dirá.... Tudo bem... Dei meu tempero a tradição familiar....Algumas vezes, em restaurantes no qual somos apaixonados, conhecemos cada prato do cardápio. Mas é muito comum sempre ter um prato especial em cada restaurante da nossa lista. Algo como: “Naquele ali, a melhor pedida é este...., jamais peça aquele e aquele outro”.

O surgimento destas compras coletivas foi um dos pilares subversivos que contribui para minha saída da tradição e também seu retorno. Propagandas de pratos e preços convidativos em restaurantes e bares que nunca ouvi falar, nos levaram a conhecê-los. Isso me fez deparar com uma realidade bem intrigante.

Primeiro, estes sites promocionais deveriam ser espaços excepcionais para um marketing positivo das lojas. Levando o público a locais desconhecidos, que promocionalmente, conheceriam o cardápio de determinado local e ao gostar, retornariam espontaneamente. Eu comentava na época em que surgiram, como a ideia era boa e propícia a bons negócios. Mas o que tem ocorrido é o contrário. Estes sites de compras têm produzido um marketing negativo sobre estes espaços. De cada 10 cupons que compro de bares e restaurantes, não volto em 9 deles.  Os locais não se preparam para receber estes clientes - fieis em potencial. Eles tratam isso como uma ação despretensiosa acha que talvez só para aumentar as vendas num determinado período. 

Numa das minhas primeiras decepções, comprei um cupom de um bar na zona norte (moro na zona sul) de Recife que oferecia 2 caipirinhas, 2 caldinhos, 2 empadas, e uma porção de pasteis. Quando minha esposa e eu chegamos, gostamos do ambiente do bar – que não conhecíamos e avisamos ao garçom sobre o cupom. Ele desapareceu e uns 10 minutos depois, trouxe todos, TODOS os produtos da dita promoção e os jogou na mesa (não estou usando figura de linguagem...). Como tentamos respeitar a lei, quando minha esposa e eu saímos, sofremos com o Feitiço de Áquila, só um pode beber, fazemos zerinho-ou-um e pronto: um é refrigenrante (no meu caso é água com gás) e o outro bebe. O garçom trouxe duas caipinhas e jogou na mesa e eu teria que tomá-las ao mesmo tempo ou uma viraria suco....Para piorar, quando peguei o cardápio para conhecer melhor os petiscos do bar, a surpresa: a porção de pasteis, no cardápio, era o dobro da quantidade que chegou a mesa. Quando questionei o garçom, ele veio com a verdade: a da promoção seria só meia-porção mesmo. Conferi no papel: “UMA porção!”. Não adianta reclamar. É agir como um bom consumidor: nunca mais voltar naquele lugar e avisar todos nossos amigos para não irem também (os inimigos agente indica...^_^).
Tudo bem, disse. Foi a primeira. Demos azar. Vamos tentar novamente.... E cair no mesmo erro! De outra vez compramos uma carne de sol para 4 pessoas, também num restaurante da zona norte que nunca ouvimos falar. Fomos os 4, dois adultos e duas crianças. Uma carne de sol pra 4... tudo bem que sou guloso, mas levando em conta que são duas crianças.... Gente, os preços do restaurante eram avassaladores e a porção minúscula. Tá se fosse um daqueles restaurantes sofisticados, de alta gastronomia, tudo bem... ficava calado.... mas era uma churrascaria safada de cadeira de madeira, pela glória! Nem com o valor da promoção aquilo valia alguma coisa. A carne de sol veio fatiada, quando juntamos os pedaços, não chegava no tamanho da palma da minha mão. E as porções de acompanhamento...vixe.... 4 colheres, uma pra cada! Riscamos da lista, nunca mais. (gritava  o corvo de Poe....em off).
Não para por ai....foram muitas tentativas e conto nos dedos de uma só mão, aqueles que se mostraram válidas e vantajosas. Todas as outras serviram para saber com certeza: nunca mais voltar! 

Estas promoções, na maioria das vezes, não tem nada de promocionais. Elas reduzem o valor, mas também reduzem as porções ou pelo limite que impõem com dias específicos e horas específicas.... não valem a pena. Se voltar no restaurante e pedir o mesmo prato, vai constatar isso. Descobri tal artimanha numa pizzaria. Os recheios nos dias de clone, eram mais reduzidos que no dia normal. Gente, o problema não é comer algo em recheio reduzido, mas a sinceridade do comerciante. Avise. “olha a promoção é: pratos reduzidos com preços reduzidos!”. Feito loja de roupa: o preço baixo é devido a pequenos defeitos.... o que não pode é vender gato por lebre!
Num das últimas, fomos a um rodízio de sushi.... também na zona norte (quase no centro). Oferecia de maneira mentirosa uma redução de 50%. Mas nós já frequentávamos o espaço e sabíamos que o rodízio não custava 50 reais, mas uns 26,90. E se oferecia por 20 reais + um petit gateau.  Comprei. ´_´ [choro... eu demoro a aprender com os erros...]

Este último precisava ligar pra marcar. Quando ligamos, descobrimos que não poderíamos usá-lo quando sentíssemos vontade, mas num dia específico. Pois no agendamento (e nunca vi isso) só nos dávamos uma data para marcar! Só podíamos comer naquele dia e ponto. Tudo bem, fazer o que... marcamos. Ao chegar, a surpresa.... o restaurante fez um overbook. Agendou uma quantidade superior ao seu numero de assentos e ainda reservou metade do restaurante para os que não compraram o cupom. Um verdadeiro desrespeito ao cliente. Ficamos esperando durante 1h30 para entrar e lá dentro, tinha mais surpresa. Na hora da conta, cobraram o preço “real” de 50 reais na conta e os 10% sobre este valor. Em dias normais eles cobram 26,90 e, acho que para compensar os percentuais pagos ao site vendedor dos cupons, queriam cobrar mais 5 reais de gorjeta de cada cliente. É uma palhaçada. Não paguei e ainda reclamei e...nunca mais voltei. E ainda faço propaganda do outro sushi que fica no mesmo bairro e ainda é mais barato. Apesar da confusão que deu, eles ainda tiveram a cara de pau de repetir a “promoção” (porque em sua primeira edição venderam mais de 6.000 cupons). Alias, muitos restaurante incorporaram os 10% (“Não obrigatórios pelos bons serviços”) nos preços dos seus pratos, sem nenhum escrúpulo.... Um famoso restaurante chinês no bairro das Graças (que eu adoro) fez isso. Todos os pratos tiveram seus valores aumentados exatamente em 10%, inclusive incorporando os centavos nas bebidas. 


E na entrada uma placa grande enaltece: “Não cobramos 10% !”. Meu deus... não ouço ninguém comentando... a comida é boa, as porções também. O preço é justo. Mas que é mentira, sim, é mentira! Cobram sim os 10% e de maneira compulsória e camuflada. Cliente burro existe, mas, pela glória do senhor, não é a maioria. 

Em tempo... não abandonei completamente os cupons, mas só compro de locais que eu conheça a qualidade e os preços para comparar se são “promoções” ou promoções. Não caio mais no conto do vigário.... melhor mesmo é curtir a tradição. Nada melhor que ser fiel aos bons restaurantes. Nosso bolso agradece.
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