terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ciência Social ou Sociologia?

Não sei se concordo com tudo, mas devemos refletir sobre isso.

Fonte: http://movimentossociais-educacao.blogspot.com.br/2013/12/ciencia-social-ou-sociologia.html

 

Ciência Social ou Sociologia?

 

O pensamento neoliberal vem causando muita confusão no meio das Ciências Sociais, que são uma área de conhecimento e não uma profissão. A profissão regulamentada, fruto da luta, é a de Sociólogo. Não existe a profissão de cientista social. Nosso compromisso é com a luta pela ampliação do mercado de trabalho do Sociólogo.   Por trás dessa discussão, existe, por um lado, uma visão nostálgica de alguns acadêmicos que querem o retorno a uma formação que não existe mais, pois, toda ciência caminha, em razão do desenvolvimento da pesquisa, para a especialização. Uma formação acadêmica generalista na graduação não tem mais lugar nos dias de hoje. Seria como propor, por exemplo, o fim das graduações em Física, Química e Biologia e o retorno dos cursos de Ciências da Natureza, como era no passado. Por outro lado, existem aqueles que defendem a formação de um cientista social, invocando um currículo interdisciplinar. Omitem esses defensores de uma "graduação interdisciplinar" que só existe interdisciplinaridade se houver disciplinaridade. Talvez essa, a da interdisciplinaridade, seja a argumentação mais pérfida que já atingiu a Sociologia e a Educação, pois, ela oculta, em nome de uma idéia importante, a do diálogo entre as ciências, o projeto de uma formação acadêmica pobre e barata.

 

Devemos atentar também para o fato de estar em discussão, hoje, no MEC e no Congresso Nacional, o projeto do chamado "Ensino Médio Inovador" que põe fim às disciplinas e cria um ensino por áreas de conhecimento. A formação de um professor generalista atenderia a esse projeto: a da formação acadêmica pobre e barata para pobres. Ou seja, o discurso da formação generalista esconde, na verdade, uma proposta obscurantista, um verdadeiro golpe na Educação e na Sociologia. A concepção neoliberal quer proporcionar uma formação barata e de má qualidade para professores que irão trabalhar com jovens das classes populares. É claro que esse projeto é apresentado sempre com uma bela roupagem e um belo discurso, mas, facilmente desvelado quando observamos que a carga horária exigida é de 2400 horas em três anos do ensino médio, ou seja, 800 horas por ano de ensino, ou 4 horas-aula por dia, apenas, num momento em que os movimentos sociais e as entidades da sociedade civil organizada, comprometidas com as lutas democráticas e populares, defendem exatamente o contrário: um ensino em tempo integral para atender as exigências de uma educação de qualidade.

 

A ideia equivocada de formar "cientistas sociais" em vez de Sociólogos, Antropólogos, Cientistas Políticos etc., tem por objetivo corroborar para com esse projeto neoliberal, pois, seria, ainda, de difícil sustentação pelo neoliberalismo, além de incongruente, propor para a sociedade uma licenciatura generalista e um bacharelado especializado. Assim, dentro da lógica neoliberal, as licenciaturas formariam professores de "ciências sociais" e os bacharelados "cientistas sociais".

 

Num momento em que a Sociologia se afirma como disciplina no Ensino Médio e as profissões de Professor de Sociologia e de Sociólogo ganham espaço no mercado de trabalho, a proposta de formação acadêmica generalista representa uma reação dos setores conservadores e obscurantistas às conquistas obtidas nas últimas décadas, como a da regulamentação da profissão de Sociólogo e o retorno da disciplina de Sociologia ao Ensino Médio em todo o país.

 

Márcio Franco X.Vieira

Dez/2013



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