segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

RPG Dungeons & Dragons completa 40 anos

RPG Dungeons & Dragons completa 40 anosPublicação influenciou filmes, programas televisivos e outros livros

Pedro da Hora - Diario de Pernambuco

Publicação: 02/02/2014 06:00 

Dragões são figuras importantes no D&D. Foto: Grow/Divulgação
Dragões são figuras importantes no D&D. Foto: Grow/Divulgação

Há 40 anos, os designers de jogos Gary Gygax e Dave Arneson uniram forças para criar um livro capaz de transformar pessoas comuns em aventureiros destemidos. Com um pouco de imaginação, papel e lápis, surgiam guerreiros, magos, clérigos (sacerdotes) ou ladrões capazes de vencer vilões poderosos e matar imensos dragões. Lançada em janeiro de 1974, nos Estados Unidos, a primeira edição do RPG (Role-Playing game - jogo de interpretação de personagens, em português) Dungeons & Dragons (D&D) trazia um sistema de regras inovador, em que os participantes descreviam ações e falas dos personagens, indo além de rolar dados, ação comum nos jogos de tabuleiros, populares na época. A diversão influenciou, mesmo que de forma indireta, gerações posteriores à publicação e se tornou referência para variedades da cultura pop em filmes, programas televisivos e outros livros.

Jovens tentam voltar para casa em
Jovens tentam voltar para casa em "Caverna do Dragão". Foto: Scifinews.com.br/Reprodução Internet
Um exemplo é o desenho Caverna do dragão, sucesso no Brasil nos anos 1990 e ainda em exibição na TV a cabo (canal Gloob). O título original em inglês da animação é homônimo ao jogo. A franquia também originou três filmes: Dungeons & Dragons (2001),Dungeons & Dragons 2 - O poder maior (2005) eDungeons & Dragons 3 - O livro da escuridão (2012), nenhum de grande expressão. Episódios de seriados como The Big Bang theory e Community mostram os personagens em sessões (nome de uma partida) deD&D.

A literatura também tem obras influenciadas pelos RPGs e alguns autores brasileiros da nova geração os usaram como guias. “Para desespero dos literatos, o sistema de condução de um jogo de RPG, hoje, pode ser identificado em muitas das literaturas de massa. Nos livros da série Dragões de éter (de Raphael Draccon), você consegue perceber a influência na narrativa dele. É algo muito próximo dos jogos de RPG”, afirma o professor de ciências sociais da Universidade Federal de Alagoas, Amaro Braga, que realiza estudos sobre o jogo de tabuleiro com livre dramatização.

No entanto, antes de ser fonte de inspiração, o D&D se apropriou de características de um gênero literário. Ele foi criado poucas décadas após a retomada do interesse por histórias inspiradas em sagas, baladas heroicas e novelas de cavalaria, que davam o tom do romantismo inglês e europeu no século 19. “Esse rico imaginário foi reconstruído nos anos 1940 e 1950 do século 20, através do gênero fantasia, que possui afinidades com as modalizações romântico-realistas do romance histórico oitocentista e elementos sobrenaturais associados à literatura medieval e ao fantástico”, aponta o professor do curso de letras da UFPE e coordenador de um núcleo de estudos de literatura oitocentista, André de Sena.


No Brasil, a primeira edição foi lançada pela Grow em 1994. Foto: Grow/Divulgação
No Brasil, a primeira edição foi lançada pela Grow em 1994. Foto: Grow/Divulgação
As obras de fantasia medieval também foram beneficiadas com a criação do jogo. O D&D despertou o interesse dos adeptos por autores como J.R.R. Tolkien (O senhor dos anéis e O Hobbit). “Os livros de Tolkien foram usados como cenários para os jogos e divulgados boca a boca entre os participantes, estimulando a leitura e a vendagem. Saindo do ninho acadêmico, que se encontrava, para um perfil mais popular”, diz Braga.

Ambientados em um mundo repleto de criaturas fantásticas, os jogadores de Dungeons & Dragons podem assumir o papel de elfos (como Legolas, de O senhor dos anéis) e hobbits (Frodo e Bilbo), além de humanos. De acordo com Sena, os seres são oriundos de várias mitologias antigas, tanto do Oriente como do Ocidente: “Podemos pensar nas mitologias germânicas e bretãs que inspiraram obras como Merlin, de Robert de Boron, em que os dragões aparecem em batalhas alegóricas posteriormente explicadas pelo mago Merlin, inspiração principal para o personagem Gandalf, de O senhor dos anéis”, afirma.

Dragões

O resgate da figura dos dragões encontra guarida em uma prática comum a sociedades da Antiguidade e da Idade Média, cujas crença em seres mitológicos monstruosos foram enterradas, anos depois, por teorias científicas, iluministas e até mesmo viagens sobre a Terra. A abordagem artística do personagem vem da rachadura aberta pela literatura fantástica, observa o professor André de Sena. “Surge em meio às fissuras do pensamento racionalista e iluminista, revelando a necessidade da imaginação e da criação de obras que valorizam o não-mimético e o aparentemente inverossímil”, descreve Sena. 

Os dragões comuns a D&D habitam o imaginário literário e marcam presença em Hollywood. EragonComo treinar seu dragão e Shrek são exemplos de filmes com os monstros voadores cuspidores de fogo. Livros e o seriado Game of thrones também os retratam.

"Como treinar seu dragão" retrata criatura mitológica. Foto: Paramount Pictures/Divulgacão
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