quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mapeamento das iniciativas de museologia social em Pernambuco

Mapeamento das ações de museologia social em Pernambuco
Recife, 12 de junho de 2012
 
Várias iniciativas relacionadas com o campo da museologia social vem sendo desenvolvidas  nos últimos anos no estado de Pernambuco, entre instituições e grupos étnicos e sociais variados, mobilizados em suas organizações comunitárias. São experiências voltadas para o trabalho com a memória social e o universo dos museus, protagonizados por pessoas, povos e coletividades que se apropriam da noção de patrimônio cultural para o fortalecimento de processos culturais e educacionais, visando o desenvolvimento social. No entanto, muitas destas iniciativas ainda possuem pouca visibilidade e reconhecimento, faltando uma maior aproximação entre as mais diversas experiências, para uma articulação coletiva em vistas ao fortalecimento de suas ações.
Se, por uma lado, comunidades de terreiro já vem participando ativamente da elaboração de exposições e fazendo memoriais, por outro, povos indígenas se apropriam das coleções etnográficas dos museus oficiais e vem se mobilizando para criar seus espaços museais. Na capital, Recife, populações de vários bairros vem organizando espaços de memória, como a comunidade do Coque, que sedia um museu fomentado a partir do Programa Pontos de Memória, do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).
Para articular a organização entre estas iniciativas, um grupo de profissionais e estudantes vem se reunindo com o objetivo de congregar as experiências de grupos, instituições e indivíduos que vem atuando no vasto campo da museologia social, perspectiva política e teórica que concebe o trabalho com a memória e os processos de musealização articulados à ação para a transformação social, protagonizados por grupos mobilizados em suas comunidades e territórios.
Um dos objetivos desta articulação em rede, além de propiciar a circulação e troca de saberes entre as diferentes iniciativas e grupos (identificando, por exemplo, demandas comuns e possíveis soluções), se relaciona com a necessidade de debater sobre o planejamento e a execução de políticas públicas museológicas voltadas ao desenvolvimento de populações em seus territórios, sejam eles localizados na zona urbana ou rural.
Uma primeira ação em andamento é a realização de um mapeamento do campo da museologia social em Pernambuco. Importantes ações foram identificadas entre grupos religiosos afro-brasileiros, como o tombamento do quilombo urbano da Nação Xambá e criação do seu Memorial; e a atuação da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco, na organização do movimento religioso afro-brasileiro feminino, com marcante salvaguarda da memória de sacerdotisas/Iyalorixás. Em 2008, foi reformado o Terreiro Obá Ogunté - Sítio do Pai Adão, em Água Fria, zona Norte do Recife, um dos mais antigos terreiros de Xangô do Brasil. O Memorial Mãe Betinha, Elizabeth de França Ferreira, homenageia a Yalorixá, que representou a resistência da religião à intolerância, no período do Estado Novo, e a preservação de um formato de culto de origem iorubana, o xangô recifense ou nagô.
Povos indígenas do interior do estado vêm criando museus, como os Pankararu e sua Casa de Memória do Tronco Velho Pankararu (CMTVP), em Brejo dos Padres (Tacaratu), que atuou no resgate e registro da dança do Búzio; e os Pipipã, com seu Museu Comunitário Indígena Pipipã, contemplado em 2007 com o Prêmio Culturas Indígenas. Atualmente, está em cartaz em Águas Belas uma exposição sobre os Fulni-ô, com curadoria de um Fulni-ô, usando o acervo fotoetnográfico de Carlos Estevão de Oliveira, acervo do Museu do Estado de Pernambuco. Os Pankará (Carnaubeira da Penha) preservam objetos que rememoram suas lideranças, e planejam fazer um museu articulado ao trabalho dos professores indígenas na escola.
A comunidade urbana do Coque, em Recife, possui o Museu do Mangue - Ponto de Memória do Coque. Algumas ações possuem mais visibilidade, outras iniciativas estão dispersas pelo estado, necessitando de um maior intercâmbio. 
Apresentaremos um mapeamento prévio das ações de museologia social em Pernambuco no evento Conexões Ibram, realizado pela Fundarpe e pelo Ibram, entre 12 e 15 de junho de 2012, na Fundação Joaquim Nabuco (Derby). Ocorrerá a apresentação do Programa Pontos de Memória, que propõe a ampliação do debate sobre o direito à memória, através do fomento à políticas públicas museológicas voltadas para o desenvolvimento sócio-cultural de povos e comunidades. O debate sobre o Programa Pontos de Memória e a museologia social ocorrerá na quarta-feira, dia 13, às 9:30. Em 2011, o Programa Pontos de Memória foi ampliado, através de um concurso público que premiou 45 iniciativas em território nacional com 30 mil reais. Destas, 4 iniciativas do estado de Pernambuco foram premiadas pelos trabalhos desenvolvidos: a Fundação Cultural Cabras de Lampião (Serra Talhada), a Associação Reviva (Olinda), o Museu do Mangue do Coque (Recife) e a Associação e Movimento Comunitário Aliança (Arcoverde). Em 2012, está prevista mais uma edição do prêmio, com edital a ser lançado no segundo semestre.
O (A) convidamos para juntar-se ao nosso grupo, apresentando as ações que seu povo-organização-movimento vem realizando no campo da museologia social, em vistas a estabelecermos uma rede de contatos entre as diversas iniciativas existentes no estado de Pernambuco, propiciando o fortalecimento da autonomia e a cooperação entre os grupos que protagonizam ações educacionais e culturais com memória e patrimônio.
 
Grupo de trabalho – Mapeamento das ações de museologia social em Pernambuco

Segue em anexo:

 1. Convite e apresentação;
 2. Ficha de inscrição;
 3. Programação;
 4. Divulgação do debate sobre Pontos de memória e museologia social;
 5. Ficha para mapeamento das iniciativas de museologia social em Pernambuco;
 6. Chamada - Mapeamento da museologia social, PE

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